Luta sem Recompensa
Sob o céu cinzento de Paços de Ferreira, do qual a chuva caía sem misericórdia, o Académico de Viseu entrou no Estádio da Capital do Móvel com o peso da responsabilidade, e a ambição de voltar a casa com um resultado positivo. O relvado, húmido pelos aguaceiros que até pareciam (pareciam?) dar tréguas, prometia ser palco de um espetáculo vivo até ao último minuto. O que ninguém imaginava, era o verdadeiro turbilhão de emoções que à nossa espera estavam.
O início foi frenético e a primeira parte academista. Pautando o ritmo, Cihan Kahraman estreou-se a marcar de Viriato ao peito aos 20 minutos. O turco, que já tinha ameaçado aos nove, foi assistido por Samba Koné, puxou para dentro à entrada da área, e bateu Marafona de forma colocada. Canto atrás de canto, os Beirões ameaçavam o 2-0, mas Uilton Silva e Ícaro responderam com perigo. Aos 29, Rui Fonte reestabeleceu o empate, mesmo antes do momento do jogo. O Académico respondeu, rapidamente, com Miguel Bandarra a converter um livre magistral aos 31 minutos, devolvendo a esperança aos adeptos viseenses que, incansáveis, apoiavam a equipa.
Na sequência do 2-1, existiram 10 minutos que podemos apelidar de “ingratos”. Foram seis (seis!) as oportunidades de golo, que ampliariam, justamente, a vantagem academista. Aos 32, Paulinho esbarrou no ferro mais alto e, um minuto volvido, Cihan Kahraman ficou perto de bisar. Aos 34, Famana Quizera obrigou Marafona a evitar o golo, antes mesmo de Miguel Bandarra ameaçar novo tento na partida. Ficaríamos por aqui? Nada disso. O ponta de lança Diogo Almeida e o médio Samba Koné, quase faziam o 1-3 por mais duas vezes, aos 37 e aos 39.
Mas o futebol é ingrato. Ingrato e madrasto. Contra a corrente do jogo, Rui Fonte bisou e levou o empate a dois para o intervalo, após ter marcado aos 41 minutos.
O segundo tempo trouxe ainda mais intensidade e emoção. Logo aos 55, Miguel Bandarra avisava ao que vinha e, de pé esquerdo (o seu segundo na tabela de preferências) voltou a dar justiça ao resultado. 2-3.
Nos últimos 20 minutos, perante um pesado relvado, o pressing do Paços foi notório. Costinha e Diegão tinham ameaçado, e Lumungo fez o 3-3 aos 77. O Académico responderia aos 84 minutos, com Marinelli muito perto do 4-3. A balança dançava de um lado para o outro, tal era a chuva e os ataques em ambos os extremos. E quando o empate parecia encaminhar-se para o apito final, surgiu o golpe fatal. Aos 91 minutos, Lumungo irrompeu pela esquerda e fez o 4-3 para o Paços de Ferreira, deixando-nos de joelhos no relvado.
Apesar da derrota, os jogadores viseenses saíram de campo com a cabeça erguida. Lutaram até ao último instante e deram aos adeptos uma exibição de garra e entrega. No regresso a Viseu, a mensagem é clara: ainda há um longo caminho a percorrer, mas o coração desta equipa nunca será colocado em causa. Cada batalha, independentemente, do resultado, serve para fortalecer a alma academista e alimentar o sonho de conquistas futuras. Em frente, Académico.