Equipa Profissional 2025-01-06

Luta sem Recompensa

Sob o céu cinzento de Paços de Ferreira, do qual a chuva caía sem misericórdia, o Académico de Viseu entrou no Estádio da Capital do Móvel com o peso da responsabilidade, e a ambição de voltar a casa com um resultado positivo. O relvado, húmido pelos aguaceiros que até pareciam (pareciam?) dar tréguas, prometia ser palco de um espetáculo vivo até ao último minuto. O que ninguém imaginava, era o verdadeiro turbilhão de emoções que à nossa espera estavam.

O início foi frenético e a primeira parte academista. Pautando o ritmo, Cihan Kahraman estreou-se a marcar de Viriato ao peito aos 20 minutos. O turco, que já tinha ameaçado aos nove, foi assistido por Samba Koné, puxou para dentro à entrada da área, e bateu Marafona de forma colocada. Canto atrás de canto, os Beirões ameaçavam o 2-0, mas Uilton Silva e Ícaro responderam com perigo. Aos 29, Rui Fonte reestabeleceu o empate, mesmo antes do momento do jogo. O Académico respondeu, rapidamente, com Miguel Bandarra a converter um livre magistral aos 31 minutos, devolvendo a esperança aos adeptos viseenses que, incansáveis, apoiavam a equipa.

Na sequência do 2-1, existiram 10 minutos que podemos apelidar de “ingratos”. Foram seis (seis!) as oportunidades de golo, que ampliariam, justamente, a vantagem academista. Aos 32, Paulinho esbarrou no ferro mais alto e, um minuto volvido, Cihan Kahraman ficou perto de bisar. Aos 34, Famana Quizera obrigou Marafona a evitar o golo, antes mesmo de Miguel Bandarra ameaçar novo tento na partida. Ficaríamos por aqui? Nada disso. O ponta de lança Diogo Almeida e o médio Samba Koné, quase faziam o 1-3 por mais duas vezes, aos 37 e aos 39.

Mas o futebol é ingrato. Ingrato e madrasto. Contra a corrente do jogo, Rui Fonte bisou e levou o empate a dois para o intervalo, após ter marcado aos 41 minutos.

O segundo tempo trouxe ainda mais intensidade e emoção. Logo aos 55, Miguel Bandarra avisava ao que vinha e, de pé esquerdo (o seu segundo na tabela de preferências) voltou a dar justiça ao resultado. 2-3.

Nos últimos 20 minutos, perante um pesado relvado, o pressing do Paços foi notório. Costinha e Diegão tinham ameaçado, e Lumungo fez o 3-3 aos 77. O Académico responderia aos 84 minutos, com Marinelli muito perto do 4-3. A balança dançava de um lado para o outro, tal era a chuva e os ataques em ambos os extremos. E quando o empate parecia encaminhar-se para o apito final, surgiu o golpe fatal. Aos 91 minutos, Lumungo irrompeu pela esquerda e fez o 4-3 para o Paços de Ferreira, deixando-nos de joelhos no relvado.

Apesar da derrota, os jogadores viseenses saíram de campo com a cabeça erguida. Lutaram até ao último instante e deram aos adeptos uma exibição de garra e entrega. No regresso a Viseu, a mensagem é clara: ainda há um longo caminho a percorrer, mas o coração desta equipa nunca será colocado em causa. Cada batalha, independentemente, do resultado, serve para fortalecer a alma academista e alimentar o sonho de conquistas futuras. Em frente, Académico.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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