Apesar das circunstâncias, saímos de cabeça erguida
Sob o sol frio de inverno, às 11 horas em ponto, o Fontelo apresentou-se como recorda a história: bancadas cheias, cachecóis erguidos e uma massa adepta a empurrar o Académico desde o primeiro minuto. Estava montado o cenário para um grande jogo.
A entrada foi claramente da equipa da casa. Logo aos dois minutos, Robinho arriscou de fora da área e deu o primeiro sinal de que os Viriatos não estavam dispostos a abdicar da iniciativa. O Académico tomou conta do jogo, dominou a posse, instalou-se no meio-campo ofensivo e empurrou o SL Benfica “B” para trás. O problema é que, desde cedo, o ritmo foi sendo sistematicamente travado por uma arbitragem excessivamente interventiva, com faltas assinaladas sem critério uniforme.
Aos 20 minutos, André Clóvis recebeu pela direita e rematou à meia-volta para defesa segura do guarda-redes encarnado. O jogo tinha um sentido único, mas o marcador mantinha-se teimosamente inalterado. Aos 33, no meio da confusão na área, Zamora tentou primeiro, Clóvis insistiu depois, mas o lance acabou intercetado. E quando o Académico parecia cada vez mais próximo do golo, foi o adversário a mostrar eficácia máxima: jogada bem desenhada pela esquerda, passe de Gonçalo Moreira e Leandro Santos a finalizar ao primeiro poste, contra a corrente do jogo.
A segunda parte trouxe ainda mais intensidade. Álvaro Zamora esteve perto do empate logo a abrir, com um remate de pé direito que passou a escassos centímetros do poste. O Fontelo acreditava, a equipa respondia, mas voltou a faltar coragem à equipa de arbitragem num momento decisivo. Num lance evidente, Martim Ferreira intercetou a bola com o braço dentro da grande área. Um penálti claro, visível, impossível de ignorar. O Académico reclamou, as bancadas exigiram, mas a resposta foi o silêncio. Um erro grave, que teve impacto direto no rumo da partida.
Ainda assim, a justiça que a arbitragem recusou acabou por surgir no minuto seguinte: Messeguem cruzou com o pé esquerdo e João Guilherme, no sítio certo, cabeceou para o 1-1, fazendo aquilo que o jogo já pedia há muito.
O momento que acabou por marcar definitivamente o encontro surgiu aos 68 minutos. Robinho viu cartão amarelo por uma entrada dura, num lance discutível. O VAR chamou Hélder Malheiro, que regressou com cartão vermelho direto. Uma decisão severa, desproporcionada e difícil de compreender à luz do critério adotado ao longo de toda a manhã. Num jogo intenso, físico, mas longe de ser violento, o Académico ficou reduzido a dez, penalizado mais uma vez pela inconsistência disciplinar.
Mesmo em inferioridade numérica, a equipa não baixou os braços. Aos 72, André Clóvis surgiu isolado, com o golo da reviravolta nos pés, mas Ricardo Ribeiro respondeu com uma grande defesa. O esforço acumulado começou, inevitavelmente, a pesar. Aos 85 minutos, após uma jogada pela esquerda, a bola sobrou ao segundo poste para Peter Edokpolor, que acabou por fazer o 1-2.
O árbitro concedeu oito minutos de compensação, tempo em que o Académico lutou com tudo o que tinha. Já no último suspiro, João Guilherme apareceu no coração da área, mas o cabeceamento saiu ao lado, selando um resultado que não reflete o que se passou em campo.
O Académico de Viseu sai derrotado, mas com a convicção de que foi superior durante largos períodos e que foi claramente penalizado por decisões que tiveram peso direto no desfecho do encontro. Quem esteve no Fontelo sabe: este resultado não conta toda a história. Apesar das circunstâncias, o grupo sai de cabeça erguida, unido, confiante na sua qualidade e consciente de que a maturidade demonstrada foi maior do que a justiça encontrada.