Equipa Profissional 2025-12-29

Apesar das circunstâncias, saímos de cabeça erguida

Sob o sol frio de inverno, às 11 horas em ponto, o Fontelo apresentou-se como recorda a história: bancadas cheias, cachecóis erguidos e uma massa adepta a empurrar o Académico desde o primeiro minuto. Estava montado o cenário para um grande jogo.

A entrada foi claramente da equipa da casa. Logo aos dois minutos, Robinho arriscou de fora da área e deu o primeiro sinal de que os Viriatos não estavam dispostos a abdicar da iniciativa. O Académico tomou conta do jogo, dominou a posse, instalou-se no meio-campo ofensivo e empurrou o SL Benfica “B” para trás. O problema é que, desde cedo, o ritmo foi sendo sistematicamente travado por uma arbitragem excessivamente interventiva, com faltas assinaladas sem critério uniforme.

Aos 20 minutos, André Clóvis recebeu pela direita e rematou à meia-volta para defesa segura do guarda-redes encarnado. O jogo tinha um sentido único, mas o marcador mantinha-se teimosamente inalterado. Aos 33, no meio da confusão na área, Zamora tentou primeiro, Clóvis insistiu depois, mas o lance acabou intercetado. E quando o Académico parecia cada vez mais próximo do golo, foi o adversário a mostrar eficácia máxima: jogada bem desenhada pela esquerda, passe de Gonçalo Moreira e Leandro Santos a finalizar ao primeiro poste, contra a corrente do jogo.

A segunda parte trouxe ainda mais intensidade. Álvaro Zamora esteve perto do empate logo a abrir, com um remate de pé direito que passou a escassos centímetros do poste. O Fontelo acreditava, a equipa respondia, mas voltou a faltar coragem à equipa de arbitragem num momento decisivo. Num lance evidente, Martim Ferreira intercetou a bola com o braço dentro da grande área. Um penálti claro, visível, impossível de ignorar. O Académico reclamou, as bancadas exigiram, mas a resposta foi o silêncio. Um erro grave, que teve impacto direto no rumo da partida.

Ainda assim, a justiça que a arbitragem recusou acabou por surgir no minuto seguinte: Messeguem cruzou com o pé esquerdo e João Guilherme, no sítio certo, cabeceou para o 1-1, fazendo aquilo que o jogo já pedia há muito.

O momento que acabou por marcar definitivamente o encontro surgiu aos 68 minutos. Robinho viu cartão amarelo por uma entrada dura, num lance discutível. O VAR chamou Hélder Malheiro, que regressou com cartão vermelho direto. Uma decisão severa, desproporcionada e difícil de compreender à luz do critério adotado ao longo de toda a manhã. Num jogo intenso, físico, mas longe de ser violento, o Académico ficou reduzido a dez, penalizado mais uma vez pela inconsistência disciplinar.

Mesmo em inferioridade numérica, a equipa não baixou os braços. Aos 72, André Clóvis surgiu isolado, com o golo da reviravolta nos pés, mas Ricardo Ribeiro respondeu com uma grande defesa. O esforço acumulado começou, inevitavelmente, a pesar. Aos 85 minutos, após uma jogada pela esquerda, a bola sobrou ao segundo poste para Peter Edokpolor, que acabou por fazer o 1-2.

O árbitro concedeu oito minutos de compensação, tempo em que o Académico lutou com tudo o que tinha. Já no último suspiro, João Guilherme apareceu no coração da área, mas o cabeceamento saiu ao lado, selando um resultado que não reflete o que se passou em campo.

O Académico de Viseu sai derrotado, mas com a convicção de que foi superior durante largos períodos e que foi claramente penalizado por decisões que tiveram peso direto no desfecho do encontro. Quem esteve no Fontelo sabe: este resultado não conta toda a história. Apesar das circunstâncias, o grupo sai de cabeça erguida, unido, confiante na sua qualidade e consciente de que a maturidade demonstrada foi maior do que a justiça encontrada.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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