O treinador do Académico de Viseu, Bruno Pinheiro, fez esta quinta-feira a antevisão ao encontro frente ao CD Nacional, relativo à próxima jornada da Liga Portugal. O técnico academista perspetivou uma deslocação exigente à Madeira, destacou as diferenças táticas do adversário e mostrou confiança na capacidade da sua equipa para conquistar mais três pontos.
Depois de um ciclo de seis vitórias consecutivas, que expectativas tem para este encontro frente ao CD Nacional?
"Acho que será um jogo diferente em termos táticos, com dificuldades também diferentes. As nossas vitórias têm sido todas muito difíceis. Os jogos em casa terminaram sempre com resultados de 2-1 e, embora neste último tenhamos tido de recuperar de uma desvantagem, todos exigiram muito de nós. Na Madeira, teremos pela frente uma equipa mais compacta defensivamente, que está a jogar com uma linha de cinco. Isso altera, desde logo, a forma como temos de abordar o jogo. Nos dois últimos encontros, sob o comando do novo treinador, o Nacional sofreu apenas um golo, de bola parada, e conseguiu vencer o SC Braga. Sabemos das dificuldades que vamos encontrar e teremos de estar muito concentrados. Será difícil, como têm sido todos os jogos, mas com características diferentes."
Considera que este é o melhor plantel, o melhor coletivo ou o melhor balneário com que já trabalhou?
"São coisas diferentes. Em termos de balneário, o Estoril também tinha um grupo muito bom. O Gil Vicente não era mau, embora tivesse um plantel mais desequilibrado, com algumas posições em que era mais difícil substituir jogadores. Os três balneários eram bons. No Académico, sinto que existe uma vontade ainda maior. Os jogadores têm uma disponibilidade enorme para trabalhar e correr. Como costumo dizer, podemos não ter os melhores jogadores nem o melhor treinador, mas temos uma vontade muito grande. E, quando é assim, a vida do treinador torna-se sempre mais fácil. Em termos coletivos, há diferenças. Ofensivamente, o Estoril era provavelmente a equipa que melhor interpretava aquilo que pretendíamos. Defensivamente, porém, era uma equipa mais paciente, mais de espera e mais zonal do que somos atualmente. A organização defensiva que temos vindo a desenvolver no Académico ajuda-nos a conseguir melhores resultados. No que diz respeito à qualidade de jogo com bola, considero que ainda temos uma margem de progressão significativa. Resumindo, temos aqui um balneário fantástico, um plantel equilibrado e jogadores com uma enorme vontade de trabalhar. Coletivamente, podemos ainda crescer na qualidade do nosso jogo, embora isso não signifique necessariamente que se traduza sempre em melhores resultados."
A deslocação à Madeira obriga a uma abordagem tática diferente. A equipa está preparada para essa mudança e para responder aos argumentos do Nacional?
"Vamos ter de encontrar soluções e fazer com que os argumentos estejam do nosso lado. O Nacional, nestes últimos dois jogos, mostrou ser uma equipa que concede bastante iniciativa ao adversário, mas que fecha bem os espaços e é muito paciente defensivamente. Provavelmente, vamos precisar de maior capacidade individual nos momentos em que houver menos espaço. Temos trabalhado dinâmicas coletivas para conseguir criar desequilíbrios no último terço, mas, neste tipo de jogos, a individualidade também pode fazer a diferença. Acredito que temos qualidade individual e coletiva para vencer e vamos ter de demonstrá-lo uma vez mais."
O mister tem referido que os adversários estudam bem o Académico. Também já analisou detalhadamente este Nacional, que procura somar pontos?
"Nos dois últimos jogos, já com a mudança de treinador, o Nacional sofreu apenas um golo, que não foi de bola corrida. Esse será provavelmente o nosso maior desafio: conseguir marcar em jogo corrido. E estamos a falar de dois adversários de qualidade, o SC Braga e o Arouca. Quando duas equipas como estas não conseguem marcar de bola corrida, percebemos o trabalho que teremos pela frente. Isto não significa que estejamos à espera de ser dominados. Pelo contrário. O Nacional teve menos de 30% de posse de bola frente ao Braga e menos de 40% diante do Arouca. Acredito que, à medida que o treinador tiver mais tempo de trabalho, poderá acrescentar outras soluções à equipa. Nesta fase, a prioridade terá sido estabilizar defensivamente e criar condições para disputar pontos. Agora que parece ter encontrado essa estabilidade, poderá começar a introduzir algumas novidades, nomeadamente procurar ter mais bola e mais iniciativa. Vamos esperar pelo jogo para perceber se haverá alterações em relação aos últimos dois encontros. Para já, é uma equipa que tem conseguido fechar muito bem os caminhos para a sua baliza."
Ewerton e Anthony estão entre os jogadores com maior percentagem de passes certos na Liga. Que importância têm as suas saídas para o ataque na construção do jogo do Académico?
"São fundamentais. Isso obriga-me a entrar um pouco na nossa ideia de jogo, mas vou tentar resumir. Quando temos a posse de bola, podemos encontrar dois tipos de adversários: uns mais pressionantes e outros mais passivos. Contra equipas que pressionam muito, somos frequentemente obrigados a jogar para trás para depois conseguirmos sair para a frente em melhores condições. Perante adversários mais passivos, precisamos de ter mais paciência, circular a bola e construir de forma continuada, sem necessidade de recuar tanto. Como a maioria dos nossos adversários nos pressiona, a nossa ideia de jogo exige que, muitas vezes, os jogadores joguem para trás para depois encontrarem as melhores condições para progredir. Daí os números de jogadores como o Ewerton, o Anthony e o Nicos, que têm uma percentagem elevada de passes certos. Na nossa forma de jogar, perante equipas que pressionam, é importante não perder a bola sob pressão e evitar recorrer constantemente ao passe longo, deixando tudo dependente da capacidade individual para resolver o jogo. Por vezes, utilizamos também o guarda-redes para encontrar outros jogadores em melhores condições de receber. Frente ao Nacional, acredito que teremos um jogo diferente, talvez com menos necessidade de jogar para trás e mais exigência ao nível da paciência na circulação, procurando criar situações de um para um que nos permitam desequilibrar."
Por vezes, o Académico parece permitir que o adversário tenha o controlo do jogo, mas acaba por revelar capacidade de sofrimento e eficácia nos momentos decisivos. É uma característica assumida pela equipa?
"Nós não gostamos de ser dominados. A verdade é que, por vezes, somos empurrados para trás por mérito do adversário. No último jogo, penso que houve mérito do adversário, mas também muito mérito nosso. Fomos obrigados a recuar e, felizmente, as substituições permitiram alterar o rumo do encontro. A partir desse momento, o jogo mudou completamente. Diria que os últimos 20 a 25 minutos foram praticamente de sentido único, com o Académico sempre a procurar atacar. Não damos o controlo do jogo ao adversário porque queremos fazê-lo. Por vezes, simplesmente não conseguimos ter o domínio que gostaríamos, mas temos outras valências. Este grupo tem uma grande capacidade de sofrimento, trabalha muito e corre imenso, mesmo nos momentos em que está a ser condicionado. Também temos qualidade na defesa da nossa baliza, quer pela disponibilidade dos jogadores, quer pela organização defensiva que procuramos implementar. No último jogo, o golo sofrido, num cruzamento, foi uma situação que não deveríamos ter permitido, mas, de uma forma geral, temos sido competentes nesse capítulo. Mesmo quando o adversário consegue ter mais controlo, a nossa capacidade de defender a baliza é uma característica importante da equipa."