Equipa Profissional 2026-10-31

“Sinto um grupo focado; parece que são viciados em querer ganhar”

Cinco vitórias consecutivas na Liga, a última das quais em Alvalade, diante do Sporting, não alteraram a ambição nem o sentido de responsabilidade do Académico de Viseu. No regresso ao campeonato, depois da derrota na Taça da Liga, frente ao FC Porto, Bruno Pinheiro garante encontrar um plantel imune à euforia e determinado em prolongar a melhor sequência de resultados da história do clube no principal escalão do futebol português. Na antevisão à receção ao Rio Ave, este domingo, no Fontelo, para a 10.ª jornada, o treinador dos Viriatos destacou a mentalidade competitiva do grupo, rejeitou qualquer cenário de relaxamento e reafirmou que a manutenção continua a ser a prioridade. Com a possibilidade de alcançar a sexta vitória consecutiva e chegar aos 20 pontos, Bruno Pinheiro prefere valorizar o trabalho diário, a evolução coletiva e a consciência de que, apesar do arranque histórico, a temporada ainda está longe de estar decidida.

Se o Académico está preparado para alcançar o feito da sexta vitória consecutiva na Liga.

Esperamos bem que sim, obviamente. O Rio Ave também vem para fazer pela vida, para lutar pelos três pontos. Obviamente, nós também os queremos. Vamos fazer tudo para que caia para o nosso lado. O Rio Ave é uma equipa à qual é difícil de roubar a bola, pela mobilidade que permite aos seus jogadores, nomeadamente aos dois médios defensivos e aos dois laterais, que estão sempre projetados. Dificulta bastante a pressão aos adversários, torna difícil recuperar a bola em zonas mais altas do campo. Defensivamente, alguma curiosidade para saber se vão manter o que têm feito. Temos sentido nos últimos tempos já algumas adaptações por parte dos adversários para tentar contrariar a nossa saída de bola. Portanto, não tendo tanta certeza no que vão fazer defensivamente, ofensivamente, creio que irão manter aquela dinâmica dos médios e dos laterais, o que nos vai dificultar a vida. Mas temos de nos preparar oara ter sucesso também nesse momento do jogo.

Como é passar de dois jogos com o nível de dificuldade de Sporting e FC Porto, para um jogo contra o Rio Ave, que é a defesa mais batida do campeonato.

Com três jogos na mesma semana não dá muito tempo para pensar em coisas que não sejam realmente o foco do jogo. Aquilo em que nos focamos é nos nossos princípios de jogo e, digamos, afiná-los em função daquilo que esperamos que seja o adversário. Afinamos os nossos princípios ao adversário, de modo a ter um plano de jogo que nos permita recuperar as bolas o mais rapidamente possível e que nos permita ofensivamente encontrar jogadores que possam ter mais tempo e espaço para poder desequilibrar o jogo ofensivamente. Portanto, não fazemos comparações ou análises em função dos outros jogos, apenas completamos essas análises para ver o que estamos a fazer de bem e mal de acordo com os nossos princípios. A partir daí, é encaixar esses princípios no próximo adversário e definir o melhor plano de jogo possível para levar o jogo de vencida.

Se existe perigo de o plantel relaxar na sequência da série de resultados que está a realizar.

Não. Neste grupo não sinto isso. Honestamente. Eu sei o que está a dizer, eu próprio já senti isso na pele no passado, mas a verdade é que não sinto esse relaxar, essa descompressão nestes jogadores. Sinto um grupo motivado, um grupo focado; parece que são viciados em querer ganhar; é o que nós queremos, que sejam extremamente competitivos; sinto que o grupo tem esse perfil, essa característica de estar sempre ligado. Podemos perder o jogo com o Rio Ave porque o Rio Ave tem qualidade individual, tem muita qualidade individual. Acredito que, com o Vasco Seabra, com mais uma semana de trabalho, terão uma melhoria  coletivamente. Mas, independentemente do resultado, acredito que a equipa vai estar altamente motivada, competitiva, não acredito no sentimento de relaxamento por parte dos jogadores do Académico. Nem por parte do seu staff.

Se a sequência de vitórias e o triunfo em Alvalade podem mexer com o ego dos jogadores

Mais uma vez, não sinto isso, até lhe posso aqui passar aqui uma, uma inconfidência. A seguir ao jogo Alverca até levei o meu filho ao balneário e o que ele me destacou foi: "Pai, mas eles não festejaram a vitória?" Não aconteceu, essa euforia que menciona não existe. O grupo é consciente das suas qualidades, das suas limitações, somos bastante conscientes da nossa realidade, sabemos que a época vai ser difícil. Obviamente temos estado a ganhar jogos, o que nos ajuda bastante, o que dá confiança, mas sabemos que historicamente nas segundas voltas os pontos são muito mais caros, sabemos que os adversários, quando algum clube se destaca, vãi sempre criar situações diferentes do que normalmente fazem, vão trazer sempre surpresa para os jogos. Nesse sentido, acho que estamos todos muito conscientes. A vitória em Alvalade soube muito bem, ficamos muito felizes com os três pontos, mas não houve essa euforia que, se calhar, há cá fora, nomeadamente nos adeptos, e que é normal; estamos em posições diferentes e do lado cá temos noção de que estamos longe de termos a época feita; estamos focados e muito felizes e satisfeitos pelo resultado em Alvalade, mas sem qualquer euforia.

À décima jornada o Académico pode somar 20 pontos. A continuar nesta senda de resultados, pode chegar muito longe…

Sim, eu sei o que está a dizer, e é legítimo toda a gente pensar nisso. Mas o que lhe posso dizer é o pensamento do lado cá. Nem sequer sei o lugar em que estamos na tabela, não olho para a tabela classificativa, para os pontos… sei que temos cinco vitórias e dois empates, mas não olho para essas coisas. É muito cedo eo foco está no processo. Muita coisa vai ainda acontecer durante o campeonato. O que lhe posso dizer é que estamos a trabalhar, sentindo-nos bem uns com os outros, com um grupo motivado, um grupo trabalhador, sempre disse isso, um grupo muito focado na tarefa; os resultados têm sido consequência desse foco, desse, dessa vontade de trabalhar e também da qualidade que todos nós temos. No dia em que a manutenção estiver matematicamente assegurada, aí acredito que irei fazer essa reflexão: ‘o que é que podemos fazer mais?’ E havendo mais para fazer, posso-lhe garantir que nesse dia o discurso vai mudar. Mas hoje não há lugar a campeões, não há descidas, há apenas bons inícios de campeonato ou maus inícios de campeonato. Nós, graças a Deus, estamos num bom início de campeonato; e queremos acabar o campeonato tal como o estamos a começar, a ganhar jogos.

Se o Académico, cada vez mais conhecido pelos adversários, ainda pode surpreender.

Sinto que há sempre uma adaptação do adversário, nomeadamente no processo defensivo. Lembro-me, por exemplo, o Vitória de Guimarães, que veio de uma forma diferente, muito mais agressivo do que era habitual. Tivemos agora o Porto, claramente homem a homem. Portanto, sinto que começa a haver essa adaptação, essa preocupação dos adversários em tentar contrariar o nosso jogo ofensivo. Acho que é normal, eu como treinador faço exatamente o mesmo quando sinto que os adversários têm determinadas qualidades, tentamos tudo para contrariar essas qualidades. Agora, acho que temos mais para dar, acho que temos o mesmo para dar, mas de formas diferentes e em função do que o adversário nos apresentar. O segredo é ser capaz de ser rápido a identificar o que é que muda e interpretar, depois, dentro dos nossos princípios, onde é que queremos explorar os espaços. Cada vez mais esta ideia de jogo é uma ideia de jogo que leva tempo; os jogadores têm que estar a ler constantemente o jogo, não é só passar a bola de uma forma padronizada ou automatizada, mas sim em função de comportamentos que o adversário tenha, o que leva muito tempo, é preciso vivenciar, é preciso errar…  lembro-me do jogo aqui com o Santa Clara, onde, na segunda parte, apesar de termos estado por cima do Santa Clara, e de termos feito a segunda parte quase toda no meio-campo ofensivo, podíamos estar mais dois dias a jogar e não faríamos golos, porque a equipa não estava capaz de interpretar o jogo. Com esse erro pudemos melhorar nos jogos seguintes. Portanto, é normal que, em função do que nos seja apresentado, possa aparecer algo que ainda não tenhamos apanhado pela frente; e que dará mais trabalho.

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“É importante ganhar mesmo quando não se joga bem”

O Académico de Viseu continua a fazer história na Liga. A vitória diante do Rio Ave, no Fontelo, permitiu aos Viriatos alcançar o sexto triunfo consecutivo no campeonato, prolongando uma sequência inédita no principal escalão do futebol português e elevando para 20 os pontos conquistados nas primeiras dez jornadas. Mas, desta vez, foi preciso o grupo mostrar carácter, reagir a uma desvantagem e superar uma entrada menos conseguida. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades, sobretudo na primeira meia hora, e valorizou a capacidade de resposta dos jogadores, destacando a importância de saber vencer mesmo quando a qualidade exibicional fica aquém do habitual. O treinador admitiu que a sequência de seis vitórias supera expectativas, atribuiu parte das dificuldades ao desgaste físico e mental acumulado nos compromissos com Sporting e FC Porto e sublinhou a importância das alterações realizadas durante o encontro. Sem esconder a satisfação pelo momento histórico, rejeitou qualquer deslumbramento, elogiou a humildade do grupo e assumiu que o objetivo passa agora por procurar a sétima vitória consecutiva. Qual é o impacto desta vitória, depois da equipa começar a perder? Honestamente, acho que é muito bom ganhar dando a reviravolta ao jogo. Já tínhamos perdido quando não fomos capazes de dar a volta, e nas vitórias anteriores nunca estivemos numa situação de desvantagem. Ganhar numa situação de desvantagem é algo motivador, que galvaniza, que dá confiança. É excelente nesse sentido. Diria também que ganhar um jogo em que não fomos tão convincentes, como temos vindo a ser, tem igualmente um sabor especial porque, de facto, nem sempre vamos jogar bem; e é importante, mesmo não jogando bem, acabar por ganhar jogos. Hoje ganhamos e fico feliz por isso, mesmo não tendo feito o jogo que gostaríamos de ter feito. É importante ganhar jogos mesmo quando não... não se joga bem. Qual foi o racional das três substituições realizadas na segunda parte?; e, depois de referir várias vezes que esta temporada no Académico era o maior desafio da sua carreira, qual é a análise que faz deste momento da equipa, que chega à sexta vitória consecutiva. Estava à espera? Começo pela segunda pergunta. Nós temos sempre a esperança de fazer bons trabalhos e queremos sempre muito ganhar. Agora, honestamente, esta sequência de vitórias não é qualquer equipa que consegue. Normalmente está ao nível dos grandes. Como tal, nesse sentido, surpreende de facto. Se calhar também gostava de ter ganho mais pontos nas primeiras quatro jornadas e não conseguimos; se calhar poderíamos ter feito melhor com o Santa Clara ou como o Marítimo. E não conseguimos. Agora a sequência de seis jogos a ganhar é algo muito grandioso para uma equipa do nível do Académico de Viseu. Portanto, estamos muito felizes por isso. Temos a ambição de ir procurar a sétima e neste momento o foco já está em procurar a sétima. É isso mesmo. Obviamente estou muito agradado e não contava com esta série de seis vitórias. Quanto à primeira questão que fez, acho que faltou energia à equipa. Que não se justifica com os últimos jogos, porque houve uma gestão dos jogadores. Desta equipa que entrou hoje, apenas o Nicos o Messeguem foram os jogadores que jogaram na quarta-feira. Portanto, não se justifica esta entrada da equipa. Acho que a equipa tem consciência que fez uma entrada em falso. Não tenho explicação a não ser que, de facto, foi uma semana de trabalho muito intenso, muita viagem... tivemos cinco dias fora de casa... muito desgaste físico e mental porque eram jogos no Dragão e Alvalade. São jogos de uma exigência mesmo muito, muito grande. É a única justificação que encontro para isso. As substituições foram mesmo para dar mais energia, nomeadamente a do Gambor pelo Anthony, porque não estávamos a conseguir ser agressivos e para ser agressivos precisávamos que o Robinho empurrasse o Moreno, para o Moreno saltar nos centrais. O Kahraman, não que fosse pela parte física, estava a errar muitos passes para o que é habitual nele. E o João Guilherme não estava a ter impacto no jogo e o gohi acabou por ter esse mesmo impacto. Portanto, as substituições principalmente vieram para dar mais capacidade de pressão à equipa. Já aqui fiz um jogo com duas substituições na linha defensiva, em que ficou tudo admirado, porque precisávamos de marcar, mas a verdade é que eu entendo que se não há equilíbrio atrás, se não estamos fortes atrás, não podemos ser fortes à frente. A partir do momento em que nos tornamos mais agressivos e começamos a recuperar bolas mais altas, como foi o caso do primeiro golo, a equipa ganhou uma confiança diferente e passou a jogar muito mais com bola. E acho que foi uma bola de neve, honestamente. Será que o Académico agora passa a ser encarado pelos adversários de outra forma, diferente daquilo que era o início da época? Acho que é normal haver uns reajustes. Às vezes, nós analisamos as equipas e depois chegamos ao campo e o jogo não é nada daquilo que preparamos. Por exemplo, o Rio Ave costuma jogar num 4-4-2, como fez hoje, mas estávamos à espera que o Diogo Nascimento dividisse muito entre a marcação ao Kahraman e ao Luís Silva. E a verdade é que tal não... não aconteceu. Portanto, acabaram por ser só os dois avançados, através de movimentos em diagonal, a tentar controlar o Luís Silva. Não houve essa dinâmica habitual, diria eu, no Rio Ave, contra equipas que jogam em 4-3-3. O Porto mudou claramente para homem a homem contra nós. É normal que isso aconteça. Vamos ter que nos adaptar, vamos ter que identificar e adaptar durante o jogo. Os jogadores começam cada vez mais a interpretar melhor essas situações. Vamos encarar o futuro com confiança; e também pensar que quando os adversários alteram muita coisa, também pode ser que não seja muito benéfico para eles, porque saem dos padrões deles. Portanto, pode até ser algo vantajoso para nós.  10 jornadas, 6 vitórias e 20 pontos... a primeira meia hora de jogo hoje foi uma chamada à terra da equipa do Académico de Viseu, lembrando que qualquer deslumbramento poderá ser fatal? Eu acho que sim. Ao intervalo foi exatamente isso que eu disse aos jogadores. Concordo consigo, pode ter sido um deslumbramento. Mas eu acredito honestamente que este grupo não se deslumbra... e se o fez hoje, tenho a certeza que no sábado vão dar uma boa resposta e não vai acontecer. Acho que é um grupo humilde, que tem noção das coisas. Acredito mais na fadiga mental, que é mais difícil de recuperar do que a fadiga física. Um jogador está cansado, dorme 10 a 12 horas, recupera; quando a fadiga mental se instala – e eu sei que para a maioria das pessoas isto é um jogo, mas tem uma exigência mental muito grande –, o ganhar muitas vezes seguidas também cansa. O segredo é mesmo trabalhar de maneiras que não cansem, fazer disto um jogo em que tenham prazer, para que se foquem mais no processo do que no resultado, e os resultados serem uma consequência. Se foi um deslumbramento, acredito que no próximo fim de semana não vá acontecer. Se este deslumbramento está controlado, também pode haver o contrário. Os adeptos estão confiantes, temos adeptos no estádio, a equipa também parece mostrar que é capaz de continuar a ganhar? Eu fico feliz se conseguir fazer mais seis vitórias seguidas [risos]. Vamos seis a seis. Não... Mas se houver deslumbramento nas bancadas, até fico feliz com isso... é normal que as pessoas nos cobrem quando não estivermos tão bem, porque estamos a habituá-los a esta dinâmica de vitórias. É natural esse deslumbramento dos adeptos. Os adeptos vivem da euforia do momento e nós queremos que eles tenham essa euforia. Do nosso lado, os jogadores e a equipa técnica, temos que ter uma gestão diferente das emoções. Acho que o grupo é consciente, a equipa técnica é consciente, do que é preciso trabalhar para se ganhar jogos. É difícil, apesar de parecer que é fácil, pela sequência de resultados. A verdade é que quase todos os jogos foram ganhos... pela margem mínima. Ganhámos três jogos no Fontelo, todos muito difíceis de ganhar. Portanto, temos essa consciência. Até que ponto é que é importante ir introduzindo nuances no próprio jogo no sentido de não tornar o jogo previsível para as outras equipas? Eu sei o que me está a dizer, mas olhe... o Porto é das equipas mais fáceis de analisar. Toda a gente sabe o que vão fazer, mas é extremamente difícil contrariar. A ideia de jogo é baseada em compreensão de espaços; se a compreensão for bem feita, o adversário poderá apresentar-se forte, obviamente, mas se tivermos qualidade técnica e compreensão do jogo, será sempre difícil de nos contrariar. Obviamente poderá haver algumas nuances, mas muitas dessas nuances às vezes aparecem pela qualidade individual dos jogadores. Hoje a troca do Mestanza pelo Kahraman traz coisas diferentes, é um jogador mais agressivo...  o João Guilherme é bom nas transições, hoje não lhe estava a sair, o Gohi entrou e fez o que fez. Portanto, muitas vezes será também a qualidade individual, a capacidade de usar as armas que os jogadores têm, a criar essas nuances no jogo e tornar o jogo um bocado diferente.

2026-11-01

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“Vamos usar a mesma fórmula que usámos na Luz e em Alvalade”

  O treinador dos viriatos antevê um duelo interessante para a Taça da Liga e acredita que pode surpreender o FC Porto da mesma forma que o fez diante de Benfica e Sporting. Admite ainda que a conquista da Taça da Liga entra nas ambições de um clube que pretende crescer com a permanência entre os grandes esta época e nas que se seguem. As cinco vitórias seguidas dão ao Académico a confiança necessária para entrar no Dragão com vontade de ganhar e é isso que a equipa vai procurar fazer diante de uma equipa que só sabe vencer internamente. O Académico chega a esta fase da Taça da Liga em grande forma para enfrentar uma competição diferente, depois de empatar na Luz, ganhar em Alvalade e ter perdido em casa com o FC Porto esta época. Agora volta a defrontar o FC Porto, mas fora. O que espera? "É verdade que já defrontámos os três grandes, já vimos também o que somos capazes de fazer, embora cada jogo seja diferente, e amanhã será um jogo em que vamos manter a nossa humildade, mas também a nossa ambição. E provavelmente com diferentes intervenientes em relação ao nosso último jogo". Falemos precisamente disso. Esta sucessão de jogos vai obrigá-lo a fazer muitas alterações para o jogo no Estádio do Dragão? "Sim, vamos ter muitas alterações. Tivemos menos um dia de descanso em relação ao FC Porto e também ainda estamos a recuperar atletas e a ter uma noção real sobre quem está mais ou menos disponível. Mas acredito que no onze inicial tenhamos muitas alterações, porque vamos ter jogo no domingo com o Rio Ave [para a Primeira Liga] e temos que gerir. Não queremos correr riscos de lesões, e também acreditamos em todos os jogadores do plantel. Se fazem parte deste plantel, devem cumprir igualmente a sua missão no campo." Segundo dados do GoalPoint, o Académico de Viseu é o rei das bolas devolvidas pelos ferros da sua baliza, sete até ao momento, incluindo os jogos na Luz e em Alvalade. Até que ponto é que o fator sorte pode interferir aqui? "Estamos a falar de sete bolas aos ferros, das quais seis foram em dois jogos. Por aí, diz tudo. Curiosamente, são dois jogos em que sempre assumi que, por exemplo, na Luz podíamos estar a perder ao intervalo por três ou quatro e o jogo ficava resolvido. Frente ao Sporting, tendo em conta o valor das duas equipas, creio que estivemos muito e acabámos por ter uma vitória justa. Sabendo que para se ganhar fora, seja em Alvalade, no Dragão ou na Pedreira, é preciso ter sempre uma componente de felicidade. Pontuámos em dois jogos frente aos grandes e em ambos fomos felizes. Só assim é possível ser feliz nesses jogos." O Académico parece ter a receita para travar os grandes fora de casa. Depois da Luz e de Alvalade, essa receita pode também ser seguida no Dragão ou a forma como o FC Porto joga exige algo mais? "Acho que será a mesma fórmula [a utilizar]. Até porque no jogo para a Primeira Liga em que perdemos em casa com o FC Porto tivemos uma fórmula diferente nos primeiros 25 minutos e saiu-nos caro. Quisemos fazer algo diferente, a verdade é que não saiu bem. Vamos seguir mais a fórmula que seguimos na Luz e em Alvalade." As circunstâncias do calendário fazem passar para segundo plano as possíveis ambições que o Académico poderia ter nesta Taça da Liga? "Sim, concordo. Gostaríamos imenso de ganhar a Taça da Liga. É um troféu, e queremos ganhá-la. Da forma como temos disputado os jogos com os grandes, mesmo considerando a derrota por 3-0 com o FC Porto, em que sofremos golo nos três primeiros remates do adversário, não houve a sorte da Luz e Alvalade. Acabámos por conseguir reagir na 2ª parte, mesmo com o FC Porto a controlar defensivamente. Mas tivemos ascendente nessa fase e sentimos que conseguimos equilibrar o jogo. Por isso, é uma ambição legítima querer participar e ganhar este jogo. A verdade é que a nossa prioridade é o campeonato, foram muitos anos em que o clube esteve afastado da Primeira Liga e, como tal, queremos assegurar a permanência o quanto antes para crescermos enquanto clube e virmos a ser competitivos em mais do que uma competição. Dentro do que temos vindo a fazer, vamos com ambição para disputar o jogo e tentar ganhar, mesmo sabendo da dificuldade que é jogar no Dragão, que o FC Porto a nível interno só sabe ganhar… mas também acreditando que, apesar das várias mexidas que vamos fazer, temos um plantel capaz. Disse-o a seguir ao Fátima, que voltava a repetir o mesmo onze porque acredito que aquele onze tinha condições para ganhar aquele jogo e deveria tê-lo feito. Obviamente que são jogadores que têm tido menos tempo de utilização, o que não lhes permite ter a mesma rotina dos colegas. Perante cenários diferentes, por vezes, ainda não conseguimos reagir da melhor forma." Fala-se bastante do cartaz de cinco vitórias alcançada por uma equipa que subiu, o que é notável. Jogar no Dragão nesta fase também vos dá vontade de mostrar ali naquele palco por que é que o Académico está como está? "Sim, mas essa vontade vai existir a época toda. Acredito que vamos sempre ser competitivos. Mesmo que por vezes não consigamos controlar o resultado. Ainda no último jogo tivemos três bolas nos nossos ferros e isso não controlamos. Mas dentro do que conseguimos controlar, a forma como nos posicionamos, atacamos e defendemos durante os jogos, isso controlamos, e é por isso que acho que o grupo vai ser competitivo e conseguir alcançar o objetivo da permanência de forma tranquila. Com as vitórias vem a confiança e a subida do moral, queremos transportar isso para o Dragão, porque esta confiança não vem tanto dos resultados, mas sim do que conseguimos fazer como equipa e das dificuldades que criamos aos adversários. O que nos ajuda realmente é o processo de jogo que temos apresentado. É isso que nos leva às vitórias e espero que nos leve a outra no Dragão, amanhã." A valorização de ativos é uma das missões de Bruno Pinheiro como treinador e também da SAD do Académico de Viseu. Estamos a caminhar para o mercado de inverno: sente que está a cumprir esse objetivo e, por outro lado, tem algum receio de perder unidades importantes em janeiro? "Confesso que nesse capítulo estou bastante satisfeito, não [só] no Académico de Viseu. No Estoril, comigo como técnico, fizemos as vendas do [Miguel] Crespo, do André Franco, Arthur Gomes e Chiquinho, que na altura foram vendas recorde quer pelo volume, quer pelo valor dos jogadores. No Gil Vicente, a venda do Mory Gbane e, no final da época, do Félix Correia também dizem isso. Nesse aspeto, estou muito tranquilo. Até porque acredito que a forma de jogar da equipa valoriza sempre muito os jogadores. E quando isso se associa a resultados desportivos, há um incremento ainda maior. Mas eles saem sempre valorizados. Quanto às transferências, no passado tive mais dificuldade em lidar com isso, a verdade é que o futebol português necessita dessas vendas e eu como treinador, sendo a minha ambição ganhar, tenho de adaptar-me. Sendo o Académico de Viseu um clube estável financeiramente, até hoje ninguém me falou na necessidade de vender [jogadores]. É um clube que prioriza a vertente desportiva e que só fará vendas que sejam consideradas interessantes e pelo valor justo. Temos o exemplo é o Clóvis, pelo qual chegam sempre propostas que são recusadas, porque não atingem o valor que é considerado justo. Como não há essa necessidade, até nisso tenho sorte. Porque eu adaptei-me às vendas, mas acredito o Académico saberá vender, o que tiver de vender, a bom preço. Acredito que não haverá esse problema, mas se houver, serão portas que se irão abrir a outros jogadores, para crescerem e nos ajudarem a cumprir os objetivos."

2026-10-27

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“Este Académico faz falta na Primeira Liga”

O Académico de Viseu foi a Alvalade bater o Sporting por 2-1 e somar a quinta vitória consecutiva na Primeira Liga. Pese embora ter chegado aos 17 pontos, a um do conjunto de Alvalade, o treinador dos viriatos não entra em euforias. “Alcançar a permanência, da forma mais tranquila possível” continua a ser o maior objetivo de um clube que não estava entre os grandes do futebol português há 37 anos. Agora, segue-se o FC Porto, no Dragão, para a Taça da Liga e Bruno Pinheiro prepara-se para fazer mudanças na equipa porque acredita em todo o grupo. Confiança não falta a uma equipa que ocupa o 6º lugar na Primeira Liga. Depois de tirar pontos ao Benfica no Estádio da Luz e veio ganhar a Alvalade os 3 pontos, ainda que em circunstâncias diferentes. Está a um ponto do Sporting. Como avalia? Comparativamente a esse resultado que referiu, estivemos muito melhor esta noite. Não pelo resultado, mas em termos de organização defensiva e qualidade com bola. Foi um jogo difícil, como é óbvio. Mas, dentro das dificuldades que já esperávamos num jogo destes, conseguimos controlar na generalidade do jogo as ações ofensivas do Sporting. A determinado momento, houve dificuldade em controlar o 1x1 dos extremos do Sporting, porque recebiam a bola sem pressão e ganhavam alguma velocidade para encarar os nossos defesas-laterais, além de desequilibrar com facilidade. Conseguimos corrigir essa situação e a partir daí, controlámos as ações junto à nossa área. Ganhámos dentro da forma que seria possível e, honestamente, creio que o fizemos de forma justa. O Académico de Viseu tem mais pontos conquistados fora do que em casa. Isso significa que a equipa em casa joga sempre mais presa junto dos vossos adeptos marcaram presença em grande número em Alvalade? Acho que não há uma explicação clara para isso. É futebol. Também fomos jogar fora a Fátima e perdemos para a Taça. Faz parte do jogo. E agora ganhámos em Alvalade. Trabalhamos todos os dias, somos um grupo ambicioso, humilde, que vai à luta e isto não tem nada a ver com casa e fora. Esperamos ganhar mais vezes no Fontelo e continuar a fazê-lo fora de casa também. O Académico chegou às cinco vitórias seguidas na Liga portuguesa e está entre os primeiros classificados do campeonato. Já se pode sonhar com a Europa ou esta palavra ainda é proibida no balneário? Não… temos de ser bem claros. Não é à 9ª jornada que se vai falar dessas coisas. A primeira coisa a fazer é garantir a permanência da forma mais tranquila possível e no dia em que ela estiver assegurada, veremos em que posição estamos e analisaremos o que é possível fazer mais porque queremos sempre mais. Neste momento, o objetivo é claramente mantermo-nos na 1ª Liga da forma mais tranquila possível. É o grande objetivo. Falamos de uma equipa que subiu e chegou agora às cinco vitórias seguidas na divisão maior do futebol português. Como olha para o jogo com o FC Porto, relativo à Taça da Liga? Esta série dá-lhe mais confiança? Dar confiança, dá, obviamente. Mas temos de perceber que somos uma equipa que não está habituada a jogar de três em três dias, pelo que haverá muitas mexidas para o jogo no Dragão [esta quarta-feira]. Isso é ponto assente. Confiamos em todos os jogadores e o treinador tem de escolher quem entende que pode dar resposta. Temos de destacar esta vitória até porque vínhamos de uma derrota extremamente difícil de digerir, frente ao Fátima, do Campeonato de Portugal. Ninguém se foi abaixo, todos têm noção do que poderíamos ter feito melhor e depois chegámos a Alvalade e fizemos o jogo que fizemos. Foi fantástico e os jogadores estão de parabéns. Estão mesmo, depois do resultado no fim-de-semana passado. O Académico é hoje uma equipa, mais do que lutar pela permanência, em constante afirmação? Somos uma equipa que quer, de facto, ficar na Primeira Liga. Honestamente, daquilo que tenho visto, faz falta este Académico de Viseu na Primeira Liga. Viram a massa adepta que compareceu aqui em Alvalade, o Fontelo tem sempre uma lotação praticamente completa. E também pelo futebol que temos conseguido apresentar. O Académico faz falta na Primeira Liga, representamos um clube, uma cidade e também uma região, e acho fundamental este clube manter-se entre os grandes. O Académico esteve muitos anos afastado do escalão maior do nosso futebol e só consolidando o clube na Primeira Liga é que ele poderá crescer e ir poder ambicionar outras coisas. Agora, queremos a manutenção, de forma calma, porque ficaremos satisfeitos se o conseguirmos alcançar. Os dois golos do Académico foram parecidos. Cruzamento da direita, e o João Guilherme a aparecer ao segundo poste a finalizar. Foi algo que percebeu que podiam atacar em relação ao Sporting ou está trabalhado já pela equipa? Esse momento final não é trabalhado em particular, fosse em relação a este jogo ou a outro. O que nós trabalhamos é a forma como queremos desbloquear o jogo e quando o conseguimos fazer é depois uma interpretação dos espaços que o adversário deixa mais livres. No início deste jogo, foi complicado, porque o Luís Silva estava a sair por fora e o Soufiane [Messeguem] estava a baixar. Ao mesmo tempo, o Altimira e o Doumbiaestavam a aparecer. E não pretendíamos isso. Pretendíamos, sim, arrastar o Doumbia e o Gonçalo Inácio, para abrir espaço e atacar a defesa do Sporting com bolas longas. Na 1ª parte, conseguimo-lo fazer, sobretudo a partir do momento em que o Luís Silva se fixou mais no centro. Na chegada à área, trabalha-se de forma a poderem aparecer vários jogadores, para que tenhamos várias hipóteses de finalização. A nível tático, quais são os aspetos que destaca para que a equipa tenha evidenciado um crescimento que lhe permitiu chegar a cinco triunfos seguidos na Primeira Liga? Pergunta interessante… acima de tudo, o treinador precisa de tempo. Nós temos ideias e princípios e queremos jogar de uma determinada forma, mas depois precisamos dos jogadores que melhor se adaptam a esta forma de jogar. E isso leva o seu tempo, mesmo para os jogadores poderem executar o que se pretende. O facto de conhecer cada vez melhor os jogadores que tenho, ajuda. Estamos com uma organização defensiva muito interessante. Apesar de os adversários nos cercarem muito próximo da área, como aconteceu neste jogo, defendemos bem a nossa área, fechámos bem os espaços. Sinto que a equipa pode crescer mais no jogo com bola, mas esse sim, precisa de mais tempo. Porque defender acaba por ter a ver com trabalho e inteligência, é mais fácil de assimilar. O processo ofensivo muda muito em termos das dinâmicas do adversário. E quando a equipa se apanha a ganhar, e depois o adversário muda no decorrer do jogo, é mais difícil de nos adaptarmos. Daí a margem para o crescimento nesse capítulo.

2026-10-25

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