O treinador dos viriatos antevê um duelo interessante para a Taça da Liga e acredita que pode surpreender o FC Porto da mesma forma que o fez diante de Benfica e Sporting. Admite ainda que a conquista da Taça da Liga entra nas ambições de um clube que pretende crescer com a permanência entre os grandes esta época e nas que se seguem. As cinco vitórias seguidas dão ao Académico a confiança necessária para entrar no Dragão com vontade de ganhar e é isso que a equipa vai procurar fazer diante de uma equipa que só sabe vencer internamente.
O Académico chega a esta fase da Taça da Liga em grande forma para enfrentar uma competição diferente, depois de empatar na Luz, ganhar em Alvalade e ter perdido em casa com o FC Porto esta época. Agora volta a defrontar o FC Porto, mas fora. O que espera?
"É verdade que já defrontámos os três grandes, já vimos também o que somos capazes de fazer, embora cada jogo seja diferente, e amanhã será um jogo em que vamos manter a nossa humildade, mas também a nossa ambição. E provavelmente com diferentes intervenientes em relação ao nosso último jogo".
Falemos precisamente disso. Esta sucessão de jogos vai obrigá-lo a fazer muitas alterações para o jogo no Estádio do Dragão?
"Sim, vamos ter muitas alterações. Tivemos menos um dia de descanso em relação ao FC Porto e também ainda estamos a recuperar atletas e a ter uma noção real sobre quem está mais ou menos disponível. Mas acredito que no onze inicial tenhamos muitas alterações, porque vamos ter jogo no domingo com o Rio Ave [para a Primeira Liga] e temos que gerir. Não queremos correr riscos de lesões, e também acreditamos em todos os jogadores do plantel. Se fazem parte deste plantel, devem cumprir igualmente a sua missão no campo."
Segundo dados do GoalPoint, o Académico de Viseu é o rei das bolas devolvidas pelos ferros da sua baliza, sete até ao momento, incluindo os jogos na Luz e em Alvalade. Até que ponto é que o fator sorte pode interferir aqui?
"Estamos a falar de sete bolas aos ferros, das quais seis foram em dois jogos. Por aí, diz tudo. Curiosamente, são dois jogos em que sempre assumi que, por exemplo, na Luz podíamos estar a perder ao intervalo por três ou quatro e o jogo ficava resolvido. Frente ao Sporting, tendo em conta o valor das duas equipas, creio que estivemos muito e acabámos por ter uma vitória justa. Sabendo que para se ganhar fora, seja em Alvalade, no Dragão ou na Pedreira, é preciso ter sempre uma componente de felicidade. Pontuámos em dois jogos frente aos grandes e em ambos fomos felizes. Só assim é possível ser feliz nesses jogos."
O Académico parece ter a receita para travar os grandes fora de casa. Depois da Luz e de Alvalade, essa receita pode também ser seguida no Dragão ou a forma como o FC Porto joga exige algo mais?
"Acho que será a mesma fórmula [a utilizar]. Até porque no jogo para a Primeira Liga em que perdemos em casa com o FC Porto tivemos uma fórmula diferente nos primeiros 25 minutos e saiu-nos caro. Quisemos fazer algo diferente, a verdade é que não saiu bem. Vamos seguir mais a fórmula que seguimos na Luz e em Alvalade."
As circunstâncias do calendário fazem passar para segundo plano as possíveis ambições que o Académico poderia ter nesta Taça da Liga?
"Sim, concordo. Gostaríamos imenso de ganhar a Taça da Liga. É um troféu, e queremos ganhá-la. Da forma como temos disputado os jogos com os grandes, mesmo considerando a derrota por 3-0 com o FC Porto, em que sofremos golo nos três primeiros remates do adversário, não houve a sorte da Luz e Alvalade. Acabámos por conseguir reagir na 2ª parte, mesmo com o FC Porto a controlar defensivamente. Mas tivemos ascendente nessa fase e sentimos que conseguimos equilibrar o jogo. Por isso, é uma ambição legítima querer participar e ganhar este jogo. A verdade é que a nossa prioridade é o campeonato, foram muitos anos em que o clube esteve afastado da Primeira Liga e, como tal, queremos assegurar a permanência o quanto antes para crescermos enquanto clube e virmos a ser competitivos em mais do que uma competição. Dentro do que temos vindo a fazer, vamos com ambição para disputar o jogo e tentar ganhar, mesmo sabendo da dificuldade que é jogar no Dragão, que o FC Porto a nível interno só sabe ganhar… mas também acreditando que, apesar das várias mexidas que vamos fazer, temos um plantel capaz. Disse-o a seguir ao Fátima, que voltava a repetir o mesmo onze porque acredito que aquele onze tinha condições para ganhar aquele jogo e deveria tê-lo feito. Obviamente que são jogadores que têm tido menos tempo de utilização, o que não lhes permite ter a mesma rotina dos colegas. Perante cenários diferentes, por vezes, ainda não conseguimos reagir da melhor forma."
Fala-se bastante do cartaz de cinco vitórias alcançada por uma equipa que subiu, o que é notável. Jogar no Dragão nesta fase também vos dá vontade de mostrar ali naquele palco por que é que o Académico está como está?
"Sim, mas essa vontade vai existir a época toda. Acredito que vamos sempre ser competitivos. Mesmo que por vezes não consigamos controlar o resultado. Ainda no último jogo tivemos três bolas nos nossos ferros e isso não controlamos. Mas dentro do que conseguimos controlar, a forma como nos posicionamos, atacamos e defendemos durante os jogos, isso controlamos, e é por isso que acho que o grupo vai ser competitivo e conseguir alcançar o objetivo da permanência de forma tranquila. Com as vitórias vem a confiança e a subida do moral, queremos transportar isso para o Dragão, porque esta confiança não vem tanto dos resultados, mas sim do que conseguimos fazer como equipa e das dificuldades que criamos aos adversários. O que nos ajuda realmente é o processo de jogo que temos apresentado. É isso que nos leva às vitórias e espero que nos leve a outra no Dragão, amanhã."
A valorização de ativos é uma das missões de Bruno Pinheiro como treinador e também da SAD do Académico de Viseu. Estamos a caminhar para o mercado de inverno: sente que está a cumprir esse objetivo e, por outro lado, tem algum receio de perder unidades importantes em janeiro?
"Confesso que nesse capítulo estou bastante satisfeito, não [só] no Académico de Viseu. No Estoril, comigo como técnico, fizemos as vendas do [Miguel] Crespo, do André Franco, Arthur Gomes e Chiquinho, que na altura foram vendas recorde quer pelo volume, quer pelo valor dos jogadores. No Gil Vicente, a venda do Mory Gbane e, no final da época, do Félix Correia também dizem isso. Nesse aspeto, estou muito tranquilo. Até porque acredito que a forma de jogar da equipa valoriza sempre muito os jogadores. E quando isso se associa a resultados desportivos, há um incremento ainda maior. Mas eles saem sempre valorizados. Quanto às transferências, no passado tive mais dificuldade em lidar com isso, a verdade é que o futebol português necessita dessas vendas e eu como treinador, sendo a minha ambição ganhar, tenho de adaptar-me. Sendo o Académico de Viseu um clube estável financeiramente, até hoje ninguém me falou na necessidade de vender [jogadores]. É um clube que prioriza a vertente desportiva e que só fará vendas que sejam consideradas interessantes e pelo valor justo. Temos o exemplo é o Clóvis, pelo qual chegam sempre propostas que são recusadas, porque não atingem o valor que é considerado justo. Como não há essa necessidade, até nisso tenho sorte. Porque eu adaptei-me às vendas, mas acredito o Académico saberá vender, o que tiver de vender, a bom preço. Acredito que não haverá esse problema, mas se houver, serão portas que se irão abrir a outros jogadores, para crescerem e nos ajudarem a cumprir os objetivos."