Equipa Profissional 2026-08-29

“A bem ou a mal, vão ter que contar connosco”

Depois de ter referido na flash-interview que o lance do primeiro golo do FC Porto (falta sobre Gu Costa) condicionou a evolução da partida, assumindo a revolta e garantido mesmo um “viemos para ficar, vão ter que levar connosco”, o treinador Bruno Pinheiro prosseguiu com o mesmo tom na conferência de imprensa. O sentimento academista, verbalizado também pelo capitão Luís Silva, quando afirmou que “o Académico devia ter hoje 5 pontos”, recua aos jogos com Santa Clara e Marítimo. Além do tema da arbitragem, ainda no flash, ficou também a plena consciência de que a equipa pode e deve continuar a evoluir; e uma palavra de agradecimento aos sócios do Académico, pela forma como lotaram o Fontelo e apoiaram a equipa. Seguiu-se depois a conferência de imprensa de Bruno Pinheiro:

Qual a análise do jogo?

A nossa segunda metade foi melhor. O Porto entrou melhor no jogo e acaba por por conseguir um resultado dilatado na primeira parte. Tentámos reagir, acho que no último quarto de hora estivemos estivemos bem melhor. Depois, na segunda parte, acho que estivemos melhor que o Porto. Evidentemente, podemos dizer que o Porto também consentiu essa posse de bola, a verdade é que eu também senti um Porto desgastado fisicamente. Acho que estivemos por cima do jogo em termos físicos e acabámos por fazer uma segunda parte muito... muito interessante. Não fizemos os três pontos ainda... Também não fomos nós a fazer o primeiro golo ao Porto, nem fomos nós os primeiros a roubar pontos ao Porto... mas estamos cá e... vão ter que contar connosco! A bem ou a mal, vão ter que contar connosco!

A equipa pareceu claramente diferente no segundo tempo. Por que razão não foram feitas substituições mais cedo?

Olhe, porque eu entendi que não era o momento. Fico feliz que os nossos substitutos tenham entrado bem. Não fizeram mais que a obrigação deles. Tenho um lema aqui com eles que é: é tão importante quem começa o jogo, como quem acaba. E eles deram um sinal que contamos com eles e mostram que têm vontade de jogar e podem ser titulares da equipa. Obviamente o Bouldini não poderia entrar ao intervalo porque fisicamente não está capaz disso. Como viram, jogou pouco tempo e mesmo assim foi decrescendo, na fase final já... já se notava alguma fadiga.  Quanto ao Mestanza, pode jogar os 90 minutos, tem pulmão para isso, tem ritmo para isso. O Kahraman estava bem. O Soufiane também estava bem. Quando fisicamente o Kahraman quebrou, que também tem essa tendência a partir da hora de jogo, deu-se a substituição; todos cumpriram com aquilo que se lhes pedia, que era trazer algo ao jogo. Portanto, satisfeito pela entrada dos jogadores.  O que é importante é que quem entre tenha impacto no jogo.

O Académico teve dificuldades na construção? Ou procurou um jogo mais direto?

O Porto é uma equipa que, quando joga contra um 4-3-3, que é o nosso caso, joga em 4-2-3-1; assim que pode, ativa a pressão com o extremo /neste caso era o Pepê que ficava agressivo, mais o lateral esquerdo; ficavam agressivos e transformavam em marcação homem a homem). Aí há duas opções: ou baixamos toda a gente e deixamos situações dois para dois no ataque, ou três para três; ou subimos toda a gente e tentamos sair a construir com o guarda-redes. Entendemos que não teríamos essa vantagem porque, de facto, os jogadores do Porto são muito rápidos, são muito agressivos na pressão. Optámos por arrastá-los, portanto, para os trazer mais acima e tentar explorar as costas em situações de igualdade numérica.

A meio da primeira parte, já com os três golos do Porto, subiu um bocadinho o bloco de pressão. Qual era a estratégia a partir daí?

Não, por acaso fizemos o oposto, resultou e já lhe explico. No início tentávamos ativar a pressão, mais até com o extremo do que com o avançado, para que depois, quando houvesse uma variação do centro de jogo, o FC Porto não encontrasse jogadores livres. Mas a verdade é que tiveram mais êxito do que aquilo que eu esperava nas bolas longas, nomeadamente no segundo golo. A partir desse momento percebi que o melhor era o plano B que estava preparado e que estava trabalhado, e invertemos: a linha de cinco passou a ser atrás para poder defender melhor a largura do campo.

O plantel está fechado?

Honestamente, acho que poderá ainda entrar gente. Como o Presidente já fez referência, se forem oportunidades de negócio e que se entendam que sejam mais-valias, será feito. Acho que até ao fecho do mercado há essa possibilidade.

A chegada de reforços em plena temporada condiciona a evolução?

É natural e é uma dificuldade também.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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