Depois de ter referido na flash-interview que o lance do primeiro golo do FC Porto (falta sobre Gu Costa) condicionou a evolução da partida, assumindo a revolta e garantido mesmo um “viemos para ficar, vão ter que levar connosco”, o treinador Bruno Pinheiro prosseguiu com o mesmo tom na conferência de imprensa. O sentimento academista, verbalizado também pelo capitão Luís Silva, quando afirmou que “o Académico devia ter hoje 5 pontos”, recua aos jogos com Santa Clara e Marítimo. Além do tema da arbitragem, ainda no flash, ficou também a plena consciência de que a equipa pode e deve continuar a evoluir; e uma palavra de agradecimento aos sócios do Académico, pela forma como lotaram o Fontelo e apoiaram a equipa. Seguiu-se depois a conferência de imprensa de Bruno Pinheiro:
Qual a análise do jogo?
A nossa segunda metade foi melhor. O Porto entrou melhor no jogo e acaba por por conseguir um resultado dilatado na primeira parte. Tentámos reagir, acho que no último quarto de hora estivemos estivemos bem melhor. Depois, na segunda parte, acho que estivemos melhor que o Porto. Evidentemente, podemos dizer que o Porto também consentiu essa posse de bola, a verdade é que eu também senti um Porto desgastado fisicamente. Acho que estivemos por cima do jogo em termos físicos e acabámos por fazer uma segunda parte muito... muito interessante. Não fizemos os três pontos ainda... Também não fomos nós a fazer o primeiro golo ao Porto, nem fomos nós os primeiros a roubar pontos ao Porto... mas estamos cá e... vão ter que contar connosco! A bem ou a mal, vão ter que contar connosco!
A equipa pareceu claramente diferente no segundo tempo. Por que razão não foram feitas substituições mais cedo?
Olhe, porque eu entendi que não era o momento. Fico feliz que os nossos substitutos tenham entrado bem. Não fizeram mais que a obrigação deles. Tenho um lema aqui com eles que é: é tão importante quem começa o jogo, como quem acaba. E eles deram um sinal que contamos com eles e mostram que têm vontade de jogar e podem ser titulares da equipa. Obviamente o Bouldini não poderia entrar ao intervalo porque fisicamente não está capaz disso. Como viram, jogou pouco tempo e mesmo assim foi decrescendo, na fase final já... já se notava alguma fadiga. Quanto ao Mestanza, pode jogar os 90 minutos, tem pulmão para isso, tem ritmo para isso. O Kahraman estava bem. O Soufiane também estava bem. Quando fisicamente o Kahraman quebrou, que também tem essa tendência a partir da hora de jogo, deu-se a substituição; todos cumpriram com aquilo que se lhes pedia, que era trazer algo ao jogo. Portanto, satisfeito pela entrada dos jogadores. O que é importante é que quem entre tenha impacto no jogo.
O Académico teve dificuldades na construção? Ou procurou um jogo mais direto?
O Porto é uma equipa que, quando joga contra um 4-3-3, que é o nosso caso, joga em 4-2-3-1; assim que pode, ativa a pressão com o extremo /neste caso era o Pepê que ficava agressivo, mais o lateral esquerdo; ficavam agressivos e transformavam em marcação homem a homem). Aí há duas opções: ou baixamos toda a gente e deixamos situações dois para dois no ataque, ou três para três; ou subimos toda a gente e tentamos sair a construir com o guarda-redes. Entendemos que não teríamos essa vantagem porque, de facto, os jogadores do Porto são muito rápidos, são muito agressivos na pressão. Optámos por arrastá-los, portanto, para os trazer mais acima e tentar explorar as costas em situações de igualdade numérica.
A meio da primeira parte, já com os três golos do Porto, subiu um bocadinho o bloco de pressão. Qual era a estratégia a partir daí?
Não, por acaso fizemos o oposto, resultou e já lhe explico. No início tentávamos ativar a pressão, mais até com o extremo do que com o avançado, para que depois, quando houvesse uma variação do centro de jogo, o FC Porto não encontrasse jogadores livres. Mas a verdade é que tiveram mais êxito do que aquilo que eu esperava nas bolas longas, nomeadamente no segundo golo. A partir desse momento percebi que o melhor era o plano B que estava preparado e que estava trabalhado, e invertemos: a linha de cinco passou a ser atrás para poder defender melhor a largura do campo.
O plantel está fechado?
Honestamente, acho que poderá ainda entrar gente. Como o Presidente já fez referência, se forem oportunidades de negócio e que se entendam que sejam mais-valias, será feito. Acho que até ao fecho do mercado há essa possibilidade.
A chegada de reforços em plena temporada condiciona a evolução?
É natural e é uma dificuldade também.