Na antevisão ao jogo no Funchal, diante do igualmente promovido Marítimo, o treinador do Académico disse esperar uma equipa que junte à boa capacidade defensiva que mostrou na Luz uma vontade férrea de ter a bola, como fez frente ao Santa Clara. O segredo, segundo o treinador academista, pode estar na forma como a equipa souber ser paciente, de modo a cometer menos erros. Apesar da boa entrada do Marítimo na Primeira Liga, Bruno Pinheiro sente a equipa capacitada para ir à Madeira obter um bom resultado.
Marítimo tem coletivo muito idêntico ao da época passada. Académico venceu e empatou com o Marítimo. Bom prenúncio?
"Fiz a minha reflexão sobre o adversário e a verdade é que ambos os clubes mantiveram uma base substancial do plantel da época anterior, uma vez que tiveram sucesso. Mas os dois clubes também trocaram de treinador, pelo que serão realidades novas e estados de espírito diferentes, visto que o Marítimo surge extremamente motivado pelas duas vitórias. Mas nós também vamos estar preparados para fazer um bom jogo e vamos corrigir aquilo que foi feito de menos bom aqui em casa com o Santa Clara. Vamos à Madeira para discutir o resultado. Temos condições para fazer um jogo competitivo e lutar pelos 3 pontos."
O Marítimo costuma ser mais forte em casa. O que espera da equipa de Van der Gaag?
"Espero um Marítimo motivado e isso pode empurrá-los para a frente. Vão ter um estádio em polvorosa, em função dos dois resultados que já alcançaram. É sempre difícil jogar na Madeira, onde há um ambiente fantástico e favorável ao Marítimo. São uma equipa muito paciente quer com ou sem bola, não têm problemas em defender e são extremamente coesos. Toda a gente participa muito quer ofensiva quer defensivamente, eu gosto muito de ver isso nas equipas, pois acredito que as torna mais fortes e competentes. E o Marítimo destaca-se muito por essa solidariedade, e pela paciência na organização defensiva. É curioso o facto de ter menos posse de bola do que os adversários, mas tem sempre um ‘goal expected’ superior. Temos de estar alerta para isso, mas vamos estar preparados."
Já tem um onze-base que lhe dá confiança?
"Fazemos sempre essa reflexão durante a semana e a verdade é que temos tido algumas infelicidades, sobretudo a indisponibilidade do Gustavo e do Luís Silva. Ainda andamos à procura do melhor onze, mas em termos futebolísticos e não de nomes. Frente ao Santa Clara, o golo sofrido muito cedo acabou por condicionar o nosso rendimento. Senti uma equipa que quis muito dar a volta ao jogo. Todos correram muito, mas fora do lugar, fomos mais emotivos do que racionais e isso prejudicou-nos bastante. Acho que ainda estamos longe do nosso melhor onze em termos futebolísticos."
As duas primeiras jornadas trouxeram dificuldades diferentes. O grupo está ciente da exigência da Primeira Liga?
Temos essa consciência. Contra o Santa Clara perdemos devido a um golo de grande penalidade, não discuto se o foi ou não. Tentámos muito, mas fizemo-lo mais com o coração do que com a cabeça. Podíamos ter jogado mais uma hora com essa emotividade toda e iria ser difícil dar a volta ao resultado, porque faltou critério na forma como corríamos. Temos de errar menos e não ‘dar’ esses golos. Em termos de jogo e de individualidades podíamos ter trazido outro resultado. Fomos infelizes na forma como concedemos o golo e não fomos felizes na forma como procurámos virar o jogo.
Na Madeira vamos ver o Académico da Luz ou o do Fontelo contra o Santa Clara?
"São jogos muito diferentes. Frente ao Benfica, o facto de se esperar que tivéssemos de defender mais deixa sempre o jogador mais preparado mentalmente para sofrer. Aqui temos de aceitar que, ao contrário do ano passado em que éramos favoritos a obter a vitória, somos, sim, favoritos a discutir os pontos de forma mais equilibrada. Faltou um bocadinho isso no último jogo. [Na Madeira] poderemos ver o Académico de Viseu com a capacidade de pontuar que revelou na Luz, mas com vontade de ter a bola como mostrámos frente ao Santa Clara. É importante perceber onde errámos no último jogo: houve vontade a mais e lucidez a menos. Vamos ter de ser mais pacientes e controlar as emoções. Precisamos de vivenciar estes jogos e vamos crescer durante o campeonato e queremos fazê-lo bem para fazermos uma época o mais tranquila possível."
Quais as diferenças que encontra para o Marítimo da época passada?
"Honestamente, não acompanhei muito o campeonato da Liga 2 na época passada, via mais a Primeira Liga. Este ano sinto um Marítimo tranquilo, sobretudo devido à boa entrada no campeonato. Estes triunfos tiram-lhes a ansiedade. Haverá períodos em que eles serão superiores a nós e outros em que estaremos nós por cima no jogo. Contra o Santa Clara, não conseguimos marcar no período em que fomos superiores e eles marcaram. É um Marítimo paciente e muito organizado. Vamos ter de ser pacientes para fazermos mais um golo do que o adversário."
De que forma foram trabalhadas as emoções do grupo. O porquê de não estarem totalmente controladas.
"É normal. Há 37 anos que o clube não jogava na Primeira Liga. Este é um grupo com um espírito competitivo tremendo e com muita vontade de ganhar. Na pré-época não cometemos esses erros que já tivemos nos jogos oficiais. Como é que se prepara isso? Temos de o fazer de forma tranquila, sermos honestos, reconhecer os erros e não encontrar desculpas. Temos de perceber onde erramos, por que é que erramos e saber como devemos seguir e controlar as emoções. Acredito que vamos entrar novamente numa fase de normalidade em termos emocionais e espero que isso nos traga mais pontos."
Gustavo Costa e Luís Silva disponíveis para este jogo?
"Provavelmente, poderão estar na lista de convocados. Mas não vão jogar de início, porque sofreram lesões traumáticas em jogos de preparação. Como tal, não estão disponíveis para o onze inicial, mas poderão ser convocados. O que é uma boa notícia porque permite ao treinador tem mais opções e analisar, em função do trabalho semanal, qual será o melhor onze."