Bruno Pinheiro, treinador do Académico, foi claro na análise da derrota frente ao Santa Clara, jogo que assinalou o regresso do Fontelo à primeira liga, 37 anos depois. O Académico teve um “apagão generalizado” na primeira parte; a frustração, contudo, também chegou acompanhada de uma palavra para os adeptos; e de outra para os jogadores, sobretudo quando se falou de mercado: “Os jogadores que cá estão são uns verdadeiros Viriatos e confiamos imenso neles”. Eis a conferência de Imprensa do técnico academista:
Se o Académico merecia ter sido mais feliz com as oportunidades no final do jogo.
“Tivemos talvez as oportunidades de fazer o empate; mas a realidade é que saio dececionado com a primeira parte, eu e os jogadores. Demos uma primeira parte de avanço e isso paga-se caro. Ponto final.”
Sobre a as dificuldades de André Clóvis em impor a habitual influência ofensiva.
O André Clóvis é um jogador que participa em demasia no jogo, é um jogador que faz golos, bate de direita, bate de esquerda, faz golos de cabeça. Ele estava a queixar-se em termos musculares, daí a substituição. Entendi por bem tirá-lo, não fosse acontecer algo de grava e perdermos o Clóvis em mais jogos. Mas o jogo também não permitiu que o Clóvis participasse mais. Não foi o André Clóvis, foi um apagão generalizado da equipa, que me custou imenso, a mim e aos jogadores, porque tínhamos ambições. Estávamos a jogar na nossa casa, os nossos adeptos apoiaram o tempo todo, e saímos desiludidos connosco e não ter correspondido com outro resultado.
Sobre o impacto das substituições na segunda parte; se tem esperança na temporada que a equipa vai realizar; e a opinião sobre o lance do penalty.
Esperança eu tenho. Vai ser uma época difícil para nós, mas vai ser o mesmo para outras equipas. Precisamos de um período de adaptação, na primeira liga os erros pagam-se caro, e o penalty é exemplo disso. Os jogadores que entraram, estiveram bem porque também entraram num momento em que a equipa estava a crescer. A penalidade... não gosto de falar de árbitros, muito menos quando perco; acho que há uma dualidade de critérios com estas novas regras, mas não quero tocar nesse assunto hoje, porque soa a desculpa.
Se a equipa esteve mais equilibrada no segundo tempo.
Na maioria das vezes o problema das transições ofensivas deve-se ao local onde perdemos a bola. Quando perdemos a bola no meio-campo ofensivo, normalmente conseguimos fazer um controlo sobre os adversários que estão a fazer a saída. Quando perdemos a bola no meio-campo defensivo, esse controlo é muito mais difícil e há muito menos tempo para reagir. O problema é a forma como perdemos a bola, e não a linha defensiva. Na primeira parte perdemos muitas bolas em zonas onde não devíamos; foi um primeiro da forma como perdemos a bola.
Se o rendimento na primeira parte foi razão para substituir dois defesas ao intervalo.
Não teve nada ver com o penalty, no caso do Igor, são situações que acontecem. Senti que o Ruben e o Igor estavam desgastados e se ficassem no campo iam prejudicar a performance deles. Acho que troquei bem, honestamente; pode fazer confusão trocar dois defesas, mas acho os jogadores que entraram trouxeram outra energia defensiva e ofensiva, porque tinham outra disponibilidade física.
Se ainda espera reforços neste mercado de transferências.
As mais-valias são sempre bem-vindas. Mas trazer jogadores por trazer, já frisei isso... este grupo é fantástico no trabalho! Acredito que podem entrar mais jogadores, mas têm de ser considerados por toda a estrutura, administração, direção desportiva, treinador, como não havendo dúvidas de que vêm acrescentar valor. Os jogadores que cá estão são uns verdadeiros Viriatos e confiamos imenso neles.