Equipa Profissional 2026-08-13

Bruno Pinheiro: “Temos que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar”

Na antevisão ao primeiro jogo do Académico de Viseu no Fontelo no regresso à Primeira Liga, 37 anos depois, o treinador Bruno Pinheiro perspetivou esta quinta-feira, 13, o encontro da 2.ª jornada da Liga Portugal Betclic, frente ao Santa Clara. Depois do empate conquistado na estreia, diante do Benfica, o técnico academista destacou a importância de dar continuidade ao resultado alcançado na Luz, mas alertou para as características de um adversário com maior experiência de Primeira Liga e com uma ideia de jogo consolidada. Para Bruno Pinheiro, o controlo das emoções será determinante num encontro em que o Académico terá de saber aceitar os momentos em que o adversário dominará com bola, sem abdicar da sua identidade e ambição. O treinador espera ainda um Fontelo com uma “moldura humana muito bonita” e assume como objetivo procurar os três pontos. Eis a conferência de imprensa na íntegra:

- Sobre as diferenças entre o jogo com o Benfica e o Santa Clara.

- “São jogos completamente diferentes. Se num jogo nós já sabemos o que é que vai dar e estamos preparados mentalmente para passar muito tempo no processo defensivo, acho que este jogo com o Santa Clara, o controlo das emoções vai ser muito importante. Queremos tentar dominar os jogos e, se possível, controlá-los com bola. A verdade é que o adversário vai ter qualidade e vai haver momentos, ou senão até a maioria do jogo, em que será o adversário a controlar o jogo. É importante estarmos mentalmente preparados e controlar as emoções para aceitar que, se calhar, não vamos conseguir ter o controlo do jogo que gostaríamos de ter. Temos que aceitar que o adversário tem essa capacidade. Temos que ter a noção de que o Santa Clara é um adversário com qualidade, que joga bem com bola, tem bons jogadores e que vai haver momentos em que se calhar não vamos conseguir impor o nosso jogo. Vamos ter que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar.”

- Sobre o regresso ao Fontelo e o ambiente esperado.

- “Acho que é um momento histórico e estamos todos muito entusiasmados com o facto de jogarmos na nossa casa. Acreditamos que vamos ter uma moldura humana muito bonita e temos a certeza de que vai ser um Fontelo muito animado. Esperamos estar à altura do jogo e, se possível, ganhar os três pontos, que é esse o grande objetivo.”

- Sobre o Santa Clara.

- “Estamos à espera de um Santa Clara com qualidade. Tem um treinador com muita experiência, muitas épocas de futebol, e sabe bem o que faz. As suas equipas, por norma, são extremamente competitivas. Tem uma base de trabalho que já vem do ano passado e, na minha opinião, é uma equipa com qualidade técnica, com capacidade individual para ter a bola em todos os setores.”

- Sobre Luís Silva e Gustavo.

- “O Luís Silva não vai estar disponível. Foi uma lesão traumática, numa entrada num jogo de treino. O Gustavo também, no torneio em Varzim, na sequência de um contacto, acaba por cair e ter uma lesão traumática no ombro. Ambos estão a recuperar. O Luís Silva até se esperava que fosse um bocadinho mais rápido, mas não foi. Julgo que em breve estarão disponíveis para trabalhar com a equipa, ou pelo menos assim espero.”

- Sobre os reforços Babić e Bouldini.

- “O Bouldini dá-nos, em teoria, uma capacidade mais forte para segurar a bola. O André Clóvis é um jogador que procura mais atacar a profundidade. Acredito que, em determinados jogos, nomeadamente quando as equipas estão a sofrer uma forte pressão do adversário, vão pôr muita gente na área e muitas vezes vamos ter que tirar a bola para longe. É importante ter um avançado com capacidade para segurar a bola e esperamos que o Bouldini nos traga essa capacidade. Para além de ser um finalizador, é um jogador dentro da área que tem uma capacidade tremenda para finalizar, nomeadamente de cabeça. O Babić é um jogador para desenvolver, que tem muita intensidade. É um jogador com mais potencial defensivo do que ofensivo, que cobre muito campo para defender. É muito agressivo, ganha muitas bolas no contacto físico e será um jogador mais médio defensivo, box-to-box, que nos pode ajudar mais na recuperação da bola e no contacto físico.”

- Sobre a possibilidade de novos reforços até ao final do mercado.

- “Acho que o presidente terá dito tudo ao falar em oportunidades de negócio. Não será num setor ou noutro. Será oportunidade de jogadores que possam estar disponíveis no mercado e que se possa perspetivar que tenham um potencial ou uma capacidade claramente superior aos jogadores que estão cá. Portanto, não será num setor ou noutro. Acho que o termo correto será mesmo oportunidade de negócio.”

- Sobre as dificuldades que o Santa Clara pode colocar e o equilíbrio entre as duas equipas.

- “São dificuldades diferentes. O nível individual das equipas vai estar muito mais nivelado e acho que há capacidade de se jogar mais do que tivemos na primeira jornada. A partir daí, é ter a noção e não achar que vamos conseguir jogar sempre com bola. Para nós, o desejado seria jogar 90 minutos com bola, sabendo que é impossível fazê-lo.”

- Sobre a importância de dar continuidade ao empate conquistado na Luz.

“Concordo plenamente. Um empate na Luz é um bom resultado para nós, mas só faz sentido dando continuidade no próximo jogo em casa. Todos nós estamos conscientes disso. Para nós, esse jogo foi quase encerrado à saída do balneário. No regresso para cá, já estávamos a preparar o jogo com o Santa Clara. O foco está no Santa Clara. Não vi nenhum comportamento efusivo de ninguém. Vejo toda a gente focada. Não foi feita nenhuma festa. É um bom ponto para nós, mas foi o sentimento de dever cumprido e o grupo, nesse aspeto, acho que é focado e tem noção de que está focado no próximo jogo. Um bom resultado é ganhar os três pontos. Mas depois do jogo, se o adversário for muito superior a nós e empatarmos, terei que aceitar que o empate também foi um bom resultado. Vai depender muito do jogo que conseguirmos fazer.”

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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