Equipa Profissional 2026-04-05

Um Var em Silêncio que gritou mais alto

Casa cheia, ambiente que fez lembrar outros palcos e um Académico à altura do momento. No Estádio do Fontelo, viveu-se a melhor moldura humana da época — e também uma das derrotas mais difíceis de engolir. Não só pelo resultado em si, mas por tudo o que o jogo contou… e, sobretudo, pelo que deixou por contar.

O Académico entrou com tudo. Assumiu o jogo, tomou conta das operações e empurrou o adversário para trás com uma intensidade constante. Houve identidade, houve coragem e houve, acima de tudo, uma equipa decidida a honrar o apoio vindo das bancadas.

O resultado, esse, nunca acompanhou o que se viu em campo. O futebol, por vezes, tem destas ironias cruéis. À primeira oportunidade relevante, o Felgueiras encontrou um penálti e colocou-se em vantagem. Um lance validado após intervenção do VAR, com Fábio Veríssimo a apontar para os onze metros. Mario Rivas marcou. Os Viriatos insistiam, mas o empate não chegava. Muito por culpa de uma exibição de enorme nível de Mateus Pasinato. O guardião do Felgueiras foi, sem margem para discussão, o melhor em campo — e isso explica quase tudo. Foram várias defesas de grau de dificuldade elevado, duas delas a negar golos praticamente cantados a Luís Silva e a Gohi. O Académico criou, rematou, insistiu… e encontrou sempre uma resposta do outro lado.

A equipa viseense não quebrou em momento algum. Manteve a pressão, continuou a acreditar e foi sempre à procura de inverter o rumo dos acontecimentos, mesmo quando o jogo começou a tornar-se cada vez mais fragmentado.

E aqui entra um dos pontos que mais condicionou o espetáculo: a forma como o encontro foi sendo gerido. De forma reiterada, foi-se permitindo que o tempo útil se esvaísse. O Felgueiras foi retardando reposições, quebrando ritmos, promovendo paragens constantes — e encontrou sempre margem para o fazer. Uma margem fora do comum que lhe valeu, ironicamente, um único cartão amarelo em toda a partida, dado ao minuto 89 (!). Jogou-se pouco, muito pouco, para aquilo que o encontro pedia.

Num cenário destes, quem estava por cima acabou, naturalmente, prejudicado.

Ainda assim, o Académico foi procurando soluções, mesmo perante um contexto cada vez mais adverso. As duas expulsões acabaram por condicionar a abordagem na reta final, obrigando a equipa a reorganizar-se e a lutar com menos unidades, mas nunca com menos ambição.

E mesmo assim, já no período de compensação, surgiu o lance que resume a partida. Rúben Pereira é derrubado e agarrado na grande área, num momento que pareceu evidente para quem estava no estádio e, ainda mais, para quem reviu as imagens. Um possível penálti que poderia ter mudado tudo — ou, pelo menos, reposto alguma justiça no marcador. Mas nada foi assinalado. Nem decisão, nem explicação clara. Apenas o jogo a seguir… embrulhado num silêncio ensurdecedor do VAR.

Ficou a imagem de uma equipa com caráter, com raça e com uma ligação fortíssima aos seus academistas. Uma equipa que quis sempre jogar, que procurou sempre mais e que nunca deixou de acreditar, mesmo quando o jogo pouco deixou jogar ou quando as coisas, assumidamente, não saíram como era pretendido. Sim, porque também dias há em que a inspiração nos trai.

O caminho continua.

E com esta atitude, com este compromisso e com este apoio, há jogos que não se ganham no marcador… mas dizem muito sobre aquilo que uma equipa está pronta para conquistar.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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