Equipa Profissional 2026-02-07

Do domínio à derrota: a história de dois jogos num só

Há jogos que se decidem no talento, na estratégia ou na inspiração de um momento. Outros há que mudam por causa de uma decisão difícil de explicar. O que aconteceu no Olival pertence, infelizmente, ao segundo grupo.

Durante meia hora, o Académico de Viseu foi dono e senhor do encontro. A equipa entrou sem complexos, pressionante, com bola, com personalidade e com uma ideia clara de jogo. A pressão alta obrigou o FC Porto "B" a recuar, e as ocasiões começaram a surgir junto da baliza portista. O aviso de Zamora, a insistência de Kahraman e o controlo territorial mostravam quem mandava no encontro.

O golo de André Clóvis, aos 28 minutos, foi apenas a confirmação lógica do que já se via em campo. Um gesto técnico de grande qualidade, a traduzir em números uma superioridade evidente. Até aí, só havia uma equipa a jogar à bola.

E então, 30 minutos. Altura do momento que mudou tudo.

Num lance confuso, precedido de um ressalto no peito de Domen Gril, a bola tocou no braço do guardião esloveno, num gesto praticamente instintivo. Após hesitar, o árbitro João Pinheiro apitou e decidiu mostrar cartão vermelho direto, decisão que manteve sem consulta do VAR, sem ponderação. Uma expulsão dura, desproporcionada e difícil de justificar à luz do lance descrito e dos critérios normalmente exercidos. Num jogo que até então decorria dentro da normalidade, a decisão caiu como um trovão.

A partir desse instante, o encontro partiu-se ao meio. E é impossível falar deste jogo como um todo, porque houve claramente dois jogos num só: o que se jogou 11 contra 11, e o que se jogou depois da expulsão.

No primeiro, o Académico foi superior, mais organizado, mais agressivo, mais perigoso. Não concedeu qualquer contra-ataque ao adversário. No segundo, a equipa viu-se obrigada a resistir, a adaptar-se, a correr atrás do prejuízo provocado por uma decisão externa. O empate do FC Porto "B", ainda antes do intervalo, foi o primeiro reflexo desse novo contexto.

Na segunda parte, já com vantagem numérica durante longos 60 minutos, o FC Porto "B" fez o que se exige a uma equipa nessas circunstâncias: assumiu o controlo, circulou a bola e explorou o desgaste do adversário. A ligação entre Dinis Rodrigues e Vonić acabou por ser decisiva, com dois golos bem construídos que selaram a reviravolta. Mérito portista, sem dúvida, na forma como soube jogar com mais um elemento.

Mas é impossível ignorar a origem dessa vantagem.

O Académico não caiu por incapacidade, caiu porque o jogo lhe foi virado do avesso. A expulsão de Domen Gril não só retirou o guarda-redes titular, como obrigou a equipa a uma substituição forçada, a uma reorganização imediata e a uma hora inteira em inferioridade numérica. Tudo isto num lance que nem sequer mereceu revisão com imagens, apesar da sua natureza duvidosa.

O resultado final conta a história de uma reviravolta. A partida, porém, conta outra: a de um Académico forte, personalizado e dominante enquanto o jogo foi jogado em condições de igualdade.

No Olival, houve dois jogos. E o primeiro deixou claro quem estava por cima. O segundo começou quando a arbitragem decidiu intervir — e, a partir daí, o desfecho deixou de depender apenas das equipas.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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