Bruno Pinheiro: “Temos que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar”

Na antevisão ao primeiro jogo do Académico de Viseu no Fontelo no regresso à Primeira Liga, 37 anos depois, o treinador Bruno Pinheiro perspetivou esta quinta-feira, 13, o encontro da 2.ª jornada da Liga Portugal Betclic, frente ao Santa Clara. Depois do empate conquistado na estreia, diante do Benfica, o técnico academista destacou a importância de dar continuidade ao resultado alcançado na Luz, mas alertou para as características de um adversário com maior experiência de Primeira Liga e com uma ideia de jogo consolidada. Para Bruno Pinheiro, o controlo das emoções será determinante num encontro em que o Académico terá de saber aceitar os momentos em que o adversário dominará com bola, sem abdicar da sua identidade e ambição. O treinador espera ainda um Fontelo com uma “moldura humana muito bonita” e assume como objetivo procurar os três pontos. Eis a conferência de imprensa na íntegra: - Sobre as diferenças entre o jogo com o Benfica e o Santa Clara. - “São jogos completamente diferentes. Se num jogo nós já sabemos o que é que vai dar e estamos preparados mentalmente para passar muito tempo no processo defensivo, acho que este jogo com o Santa Clara, o controlo das emoções vai ser muito importante. Queremos tentar dominar os jogos e, se possível, controlá-los com bola. A verdade é que o adversário vai ter qualidade e vai haver momentos, ou senão até a maioria do jogo, em que será o adversário a controlar o jogo. É importante estarmos mentalmente preparados e controlar as emoções para aceitar que, se calhar, não vamos conseguir ter o controlo do jogo que gostaríamos de ter. Temos que aceitar que o adversário tem essa capacidade. Temos que ter a noção de que o Santa Clara é um adversário com qualidade, que joga bem com bola, tem bons jogadores e que vai haver momentos em que se calhar não vamos conseguir impor o nosso jogo. Vamos ter que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar.” - Sobre o regresso ao Fontelo e o ambiente esperado. - “Acho que é um momento histórico e estamos todos muito entusiasmados com o facto de jogarmos na nossa casa. Acreditamos que vamos ter uma moldura humana muito bonita e temos a certeza de que vai ser um Fontelo muito animado. Esperamos estar à altura do jogo e, se possível, ganhar os três pontos, que é esse o grande objetivo.” - Sobre o Santa Clara. - “Estamos à espera de um Santa Clara com qualidade. Tem um treinador com muita experiência, muitas épocas de futebol, e sabe bem o que faz. As suas equipas, por norma, são extremamente competitivas. Tem uma base de trabalho que já vem do ano passado e, na minha opinião, é uma equipa com qualidade técnica, com capacidade individual para ter a bola em todos os setores.” - Sobre Luís Silva e Gustavo. - “O Luís Silva não vai estar disponível. Foi uma lesão traumática, numa entrada num jogo de treino. O Gustavo também, no torneio em Varzim, na sequência de um contacto, acaba por cair e ter uma lesão traumática no ombro. Ambos estão a recuperar. O Luís Silva até se esperava que fosse um bocadinho mais rápido, mas não foi. Julgo que em breve estarão disponíveis para trabalhar com a equipa, ou pelo menos assim espero.” - Sobre os reforços Babić e Bouldini. - “O Bouldini dá-nos, em teoria, uma capacidade mais forte para segurar a bola. O André Clóvis é um jogador que procura mais atacar a profundidade. Acredito que, em determinados jogos, nomeadamente quando as equipas estão a sofrer uma forte pressão do adversário, vão pôr muita gente na área e muitas vezes vamos ter que tirar a bola para longe. É importante ter um avançado com capacidade para segurar a bola e esperamos que o Bouldini nos traga essa capacidade. Para além de ser um finalizador, é um jogador dentro da área que tem uma capacidade tremenda para finalizar, nomeadamente de cabeça. O Babić é um jogador para desenvolver, que tem muita intensidade. É um jogador com mais potencial defensivo do que ofensivo, que cobre muito campo para defender. É muito agressivo, ganha muitas bolas no contacto físico e será um jogador mais médio defensivo, box-to-box, que nos pode ajudar mais na recuperação da bola e no contacto físico.” - Sobre a possibilidade de novos reforços até ao final do mercado. - “Acho que o presidente terá dito tudo ao falar em oportunidades de negócio. Não será num setor ou noutro. Será oportunidade de jogadores que possam estar disponíveis no mercado e que se possa perspetivar que tenham um potencial ou uma capacidade claramente superior aos jogadores que estão cá. Portanto, não será num setor ou noutro. Acho que o termo correto será mesmo oportunidade de negócio.” - Sobre as dificuldades que o Santa Clara pode colocar e o equilíbrio entre as duas equipas. - “São dificuldades diferentes. O nível individual das equipas vai estar muito mais nivelado e acho que há capacidade de se jogar mais do que tivemos na primeira jornada. A partir daí, é ter a noção e não achar que vamos conseguir jogar sempre com bola. Para nós, o desejado seria jogar 90 minutos com bola, sabendo que é impossível fazê-lo.” - Sobre a importância de dar continuidade ao empate conquistado na Luz. “Concordo plenamente. Um empate na Luz é um bom resultado para nós, mas só faz sentido dando continuidade no próximo jogo em casa. Todos nós estamos conscientes disso. Para nós, esse jogo foi quase encerrado à saída do balneário. No regresso para cá, já estávamos a preparar o jogo com o Santa Clara. O foco está no Santa Clara. Não vi nenhum comportamento efusivo de ninguém. Vejo toda a gente focada. Não foi feita nenhuma festa. É um bom ponto para nós, mas foi o sentimento de dever cumprido e o grupo, nesse aspeto, acho que é focado e tem noção de que está focado no próximo jogo. Um bom resultado é ganhar os três pontos. Mas depois do jogo, se o adversário for muito superior a nós e empatarmos, terei que aceitar que o empate também foi um bom resultado. Vai depender muito do jogo que conseguirmos fazer.”

Académico
Académico
Académico
VS
Santa Clara
Santa Clara
15 AGO 2026 - 18:00

Liga Portugal Betclic

JORNADA 2

15

AGO

Académico

Santa Clara

J 2
18:00
JORNADA 2 - 18:00

Liga Portugal Betclic

22

AGO

Marítimo M.

Académico

J 3
15:30
JORNADA 3 - 15:30

Liga Portugal Betclic

29

AGO

Académico

FC Porto

J 4
18:00
JORNADA 4 - 18:00

Liga Portugal Betclic

06

SET

Gil Vicente FC

Académico

J 5
JORNADA 5

Liga Portugal Betclic

13

SET

Académico

Vitória SC

J 6
JORNADA 6

Liga Portugal Betclic

09

AGO

2

2

SL Benfica

Académico

J 1
20:30
JORNADA 1 - 20:30

Liga Portugal Betclic

# Equipa J V E D PTS
3 Gil Vicente FCGil Vicente FC 1 1 0 0 3
4 Marítimo M.Marítimo M. 1 1 0 0 3
5 AcadémicoAcadémico 1 0 1 0 1
6 CD NacionalCD Nacional 1 0 1 0 1
7 Estrela AmadoraEstrela Amadora 1 0 1 0 1
#SOMOSVIRIATHUS

Bruno Pinheiro: “Temos que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar”

Na antevisão ao primeiro jogo do Académico de Viseu no Fontelo no regresso à Primeira Liga, 37 anos depois, o treinador Bruno Pinheiro perspetivou esta quinta-feira, 13, o encontro da 2.ª jornada da Liga Portugal Betclic, frente ao Santa Clara. Depois do empate conquistado na estreia, diante do Benfica, o técnico academista destacou a importância de dar continuidade ao resultado alcançado na Luz, mas alertou para as características de um adversário com maior experiência de Primeira Liga e com uma ideia de jogo consolidada. Para Bruno Pinheiro, o controlo das emoções será determinante num encontro em que o Académico terá de saber aceitar os momentos em que o adversário dominará com bola, sem abdicar da sua identidade e ambição. O treinador espera ainda um Fontelo com uma “moldura humana muito bonita” e assume como objetivo procurar os três pontos. Eis a conferência de imprensa na íntegra: - Sobre as diferenças entre o jogo com o Benfica e o Santa Clara. - “São jogos completamente diferentes. Se num jogo nós já sabemos o que é que vai dar e estamos preparados mentalmente para passar muito tempo no processo defensivo, acho que este jogo com o Santa Clara, o controlo das emoções vai ser muito importante. Queremos tentar dominar os jogos e, se possível, controlá-los com bola. A verdade é que o adversário vai ter qualidade e vai haver momentos, ou senão até a maioria do jogo, em que será o adversário a controlar o jogo. É importante estarmos mentalmente preparados e controlar as emoções para aceitar que, se calhar, não vamos conseguir ter o controlo do jogo que gostaríamos de ter. Temos que aceitar que o adversário tem essa capacidade. Temos que ter a noção de que o Santa Clara é um adversário com qualidade, que joga bem com bola, tem bons jogadores e que vai haver momentos em que se calhar não vamos conseguir impor o nosso jogo. Vamos ter que saber sofrer quando for para sofrer e jogar quando for para jogar.” - Sobre o regresso ao Fontelo e o ambiente esperado. - “Acho que é um momento histórico e estamos todos muito entusiasmados com o facto de jogarmos na nossa casa. Acreditamos que vamos ter uma moldura humana muito bonita e temos a certeza de que vai ser um Fontelo muito animado. Esperamos estar à altura do jogo e, se possível, ganhar os três pontos, que é esse o grande objetivo.” - Sobre o Santa Clara. - “Estamos à espera de um Santa Clara com qualidade. Tem um treinador com muita experiência, muitas épocas de futebol, e sabe bem o que faz. As suas equipas, por norma, são extremamente competitivas. Tem uma base de trabalho que já vem do ano passado e, na minha opinião, é uma equipa com qualidade técnica, com capacidade individual para ter a bola em todos os setores.” - Sobre Luís Silva e Gustavo. - “O Luís Silva não vai estar disponível. Foi uma lesão traumática, numa entrada num jogo de treino. O Gustavo também, no torneio em Varzim, na sequência de um contacto, acaba por cair e ter uma lesão traumática no ombro. Ambos estão a recuperar. O Luís Silva até se esperava que fosse um bocadinho mais rápido, mas não foi. Julgo que em breve estarão disponíveis para trabalhar com a equipa, ou pelo menos assim espero.” - Sobre os reforços Babić e Bouldini. - “O Bouldini dá-nos, em teoria, uma capacidade mais forte para segurar a bola. O André Clóvis é um jogador que procura mais atacar a profundidade. Acredito que, em determinados jogos, nomeadamente quando as equipas estão a sofrer uma forte pressão do adversário, vão pôr muita gente na área e muitas vezes vamos ter que tirar a bola para longe. É importante ter um avançado com capacidade para segurar a bola e esperamos que o Bouldini nos traga essa capacidade. Para além de ser um finalizador, é um jogador dentro da área que tem uma capacidade tremenda para finalizar, nomeadamente de cabeça. O Babić é um jogador para desenvolver, que tem muita intensidade. É um jogador com mais potencial defensivo do que ofensivo, que cobre muito campo para defender. É muito agressivo, ganha muitas bolas no contacto físico e será um jogador mais médio defensivo, box-to-box, que nos pode ajudar mais na recuperação da bola e no contacto físico.” - Sobre a possibilidade de novos reforços até ao final do mercado. - “Acho que o presidente terá dito tudo ao falar em oportunidades de negócio. Não será num setor ou noutro. Será oportunidade de jogadores que possam estar disponíveis no mercado e que se possa perspetivar que tenham um potencial ou uma capacidade claramente superior aos jogadores que estão cá. Portanto, não será num setor ou noutro. Acho que o termo correto será mesmo oportunidade de negócio.” - Sobre as dificuldades que o Santa Clara pode colocar e o equilíbrio entre as duas equipas. - “São dificuldades diferentes. O nível individual das equipas vai estar muito mais nivelado e acho que há capacidade de se jogar mais do que tivemos na primeira jornada. A partir daí, é ter a noção e não achar que vamos conseguir jogar sempre com bola. Para nós, o desejado seria jogar 90 minutos com bola, sabendo que é impossível fazê-lo.” - Sobre a importância de dar continuidade ao empate conquistado na Luz. “Concordo plenamente. Um empate na Luz é um bom resultado para nós, mas só faz sentido dando continuidade no próximo jogo em casa. Todos nós estamos conscientes disso. Para nós, esse jogo foi quase encerrado à saída do balneário. No regresso para cá, já estávamos a preparar o jogo com o Santa Clara. O foco está no Santa Clara. Não vi nenhum comportamento efusivo de ninguém. Vejo toda a gente focada. Não foi feita nenhuma festa. É um bom ponto para nós, mas foi o sentimento de dever cumprido e o grupo, nesse aspeto, acho que é focado e tem noção de que está focado no próximo jogo. Um bom resultado é ganhar os três pontos. Mas depois do jogo, se o adversário for muito superior a nós e empatarmos, terei que aceitar que o empate também foi um bom resultado. Vai depender muito do jogo que conseguirmos fazer.”

2026-08-13

Três golos, três pontos

O campeão voltou a casa e voltou feliz. Na noite passada, o Fontelo foi palco dos primeiros três pontos da nova época. Jébril Moumen, Nourdine Barry e Miguel Ângelo foram as estrelas da noite e ofereceram a vitória aos adeptos, com três bolas a zero frente ao CF Estrela da Amadora. A equipa viseense entrou confiante, com um início de jogo sorridente para o Académico de Viseu. Foi uma primeira parte com muita pressão sobre a baliza do Estrela da Amadora, que acabou por se traduzir em golos. Aos 12 minutos, Jébril Moumen abriu o marcador e marcou o primeiro golo da noite, dando assim mais confiança à equipa. Na sua estreia, aos 23 minutos de jogo, Nourdine marcou o seu primeiro golo ao serviço dos Viriatos e aumentou, assim, a vantagem para a formação da casa. Já aos 45 minutos, Miguel Ângelo surpreendeu e marcou o terceiro golo, colocando a equipa numa vantagem mais confortável. Na segunda parte do jogo, a equipa do Estrela despertou e tentou equilibrar a partida, mas o Académico conseguiu aguentar e manter o resultado. Os viseenses continuaram a pressionar a baliza adversária e, aos 70 minutos, Carrasco teve uma grande oportunidade, num remate que acabou por parar nas mãos do guarda-redes do Estrela. As tentativas do Académico mantiveram-se e, num remate à baliza, Simão Arede apareceu isolado e deslizou para o centro da grande área, mas a bola saiu a milímetros do poste. O Académico afirmou, assim, uma vitória por 3-0 e mostrou uma exibição digna de um primeiro jogo da época em casa. A equipa já se prepara para a próxima jornada, na qual visita o Gil Vicente, numa partida em que procura novamente os três pontos.

2026-08-11

Bruno Pinheiro: “Tivemos de ser humildes e aceitar que o adversário tem um poder diferente do nosso”

O Académico de Viseu saiu do Estádio da Luz com um empate (2-2) no regresso à I Liga, depois de duas vezes ter estado em desvantagem na partida em casa do SL Benfica. Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas, sobretudo na primeira parte, mas destacou a capacidade de sofrimento, a adaptação tática e a reação da equipa. - Que análise faz a esta partida, em que o Académico consegue marcar duas vezes no Estádio da Luz? - O empate é saboroso para aquilo que fizemos. Fomos felizes, porque na primeira parte o resultado poderia ter sido outro a favor do Benfica, mas conseguimos aguentar até ao intervalo com a margem mínima. Ao intervalo conseguimos corrigir algumas situações que nos permitiram ser um bocadinho mais compactos defensivamente e também ter saídas de bola com mais perigo. Sentíamos que, quando passávamos o meio-campo com bola controlada, criávamos sempre muito perigo. Na segunda parte acho que acabámos por equilibrar um bocadinho mais o jogo. No fim foi sofrido, como é óbvio, não poderia ser de outra forma. É um ponto muito saboroso, mas estamos conscientes de que ainda temos muito trabalho para fazer. Ainda sinto que os jogadores estão a assimilar as cargas e temos muita dificuldade física perante um Benfica que já vem com mais três jogos oficiais do que nós e está com um andamento completamente diferente. Por isso, só posso estar satisfeito com o resultado. - O que disse à equipa ao intervalo e o que foi pedindo depois para conseguir recuperar das duas desvantagens? - Sentia que, sempre que conseguíamos sair com bola controlada, deixávamos o Benfica muito desconfortável no último terço. Pedi-lhes para terem essa crença, mas também para defendermos um bocadinho melhor. Pedi ao Igor e ao Robinho para darem mais largura quando a bola estava do seu lado, porque eles estavam muito concentrados no corredor central e acabavam por dar demasiado tempo e espaço aos extremos do Benfica. Era importante esticar um bocadinho mais a linha defensiva para retirar esse tempo e espaço e evitar o passe do central para o extremo. Ofensivamente, estávamos muito precipitados e ansiosos. Iniciávamos o ataque e forçávamos demasiado quando, na realidade, podíamos circular a bola de um corredor para o outro. Quando o fizemos, conseguimos criar mais perigo e sair com mais qualidade. - Que aprendizagens retira deste jogo, do ponto de vista tático, técnico, físico e mental, para o crescimento da equipa ao longo da época? - Em condições normais, não teríamos uma linha de cinco. Mas sabíamos que havia muita capacidade de desequilíbrio pelos corredores por parte do Benfica e tivemos de o fazer. Contra equipas provavelmente do nosso campeonato teríamos uma linha de quatro. Foi uma adaptação ao jogo. Tivemos de compactar mais, pedir ao avançado para deixar a equipa compactar e ajudar a fechar o médio defensivo até a equipa estar organizada para ativar as pressões. Não foi sempre fácil. Mas, honestamente, um dos fatores que mais me fez querer o Académico de Viseu foi ter analisado os jogos desta equipa e identificado algo diferente na capacidade de sacrifício. Hoje foi um exemplo disso. Foram tremendos na capacidade de trabalho. Hoje nem fizemos um jogo fantástico com bola. Podíamos vir à Luz jogar muito melhor e ser goleados. Hoje, sem essa capacidade ofensiva de jogo, acabámos por levar um ponto por uma qualidade que esta equipa tem e que não poderá perder. Acho que os jogadores são distintos. E gosto muito do jogador português na Liga portuguesa. Este grupo fala essencialmente português e isso dá-nos algo. Os jogadores estrangeiros percebem perfeitamente português. Acho que é uma das forças deste balneário. Há jogadores que sofreram para chegar à I Liga e fico muito contente que se tenham estreado com este ponto. - O que disse aos jogadores naquele momento de reunião após o apito final? - Foi muito simples. Como viram, não houve grandes celebrações. Estamos muito felizes pelo ponto conquistado, mas foi apenas a primeira batalha de 34. Não faz sentido nenhum vir ao Estádio da Luz pontuar e, no próximo fim de semana, em casa, não fazermos um jogo com a mesma personalidade. Não digo ganhar, porque isso não controlamos, mas temos de manter a capacidade de sofrimento que tivemos hoje. A mensagem foi: saborear, dar os parabéns pelo trabalho fantástico e manter a humildade. Para a semana são três pontos do nosso campeonato e vamos ter de fazer muito para os conseguir. — Este jogo pode dar à equipa a confiança necessária para enfrentar os próximos desafios, nomeadamente diante de adversários como o FC Porto? - Acima de tudo, este jogo foi ótimo para nos dar ritmo competitivo. Fazer jogos de treino não é a mesma coisa. Fizemos uma carga progressiva e estou muito feliz porque há jogadores que conseguiram jogar 90 minutos com uma capacidade de sacrifício tremenda. Este jogo também nos permitiu crescer taticamente. Na pré-época fomos muito agressivos na nossa organização defensiva, porque enfrentámos adversários do nosso calibre ou inferiores e isso permitia-nos ser agressivos. Aqui tivemos de nos recolher, compactar e depois ser agressivos na saída de pressão. Tivemos de ser humildes e aceitar que o adversário tem um poder diferente do nosso. Isso não significa colocar o adversário acima de nós. Quando digo aos jogadores que um adversário é forte numa determinada situação, não estou a colocá-lo por cima de nós. Estou a alertá-los para que saibamos como contrariar essas características. O jogo com o Celta de Vigo já nos tinha permitido trabalhar isso e este jogo permite-nos também crescer taticamente e preparar-nos melhor para os desafios que aí vêm. Faltam 33 batalhas e precisamos de cumprir o objetivo, que é manter o Académico de Viseu entre os grandes do futebol português. - O facto de o jogo ter sido disputado sem público acabou por beneficiar o Académico? - Não tenho qualquer dúvida sobre isso. Como treinador, vir à Luz e não ter adeptos permitiu-me ajudar os meus jogadores e comunicar com eles. Com o estádio cheio, não há possibilidade de comunicação da mesma forma. Não tenho dúvidas de que a ausência de adeptos nos ajudou a pontuar. O Benfica, com os seus adeptos, teria provavelmente tido outra capacidade de galvanização, enquanto nós tivemos uma capacidade de comunicação que não teríamos com o estádio cheio. Acredito que, na primeira parte, com adeptos, se calhar teríamos saído daqui com um resultado pesado. Conseguimos sobreviver à primeira parte, corrigir e depois fomos felizes. A ausência dos adeptos ajudou-nos, sem dúvida, a pontuar, embora o Benfica tenha qualidade para ganhar mesmo sem o apoio das bancadas. 

2026-08-09

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