"Não podemos esperar qualquer tipo de facilidades"
O treinador do Académico de Viseu, Bruno Pinheiro, fez a antevisão ao jogo da 8ª jornada da Liga Portugal Betclic, com o Estoril – sábado dia 10 de outubro no Estádio do Fontelo pelas 20h30 – e rejeita qualquer cenário de excesso de confiança na receção aos canarinhos. Garante um Académico de Viseu preparado para um adversário que, apesar de ainda não ter vencido, considera ter qualidade para criar dificuldades. Admite que a paragem permitiu nivelar física e taticamente o plantel, incluindo os reforços chegados no final do mercado, e espera que o período de interrupção não tenha quebrado o bom momento da equipa. Bruno Pinheiro sublinha a ambição do grupo e deixa uma garantia: o Académico tudo fará para que os três pontos fiquem no Fontelo.
– O Académico atravessou esta pausa num momento muito bom. Como foram estas três semanas? Houve algum impacto na equipa?
Bruno Pinheiro: A ideia é continuar bem. Aproveitámos estes dias essencialmente para nivelar o grupo, quer física, quer taticamente. Havia jogadores que tinham chegado no final do mercado e tentámos igualar o conhecimento do jogo e a capacidade física dos jogadores, para termos um grupo mais competitivo e mais capaz. Basicamente, foi por aí.
– Como está a motivação da equipa para a receção ao Estoril, último classificado, que ainda não venceu e pode chegar ao Fontelo motivado à procura da primeira vitória?
Bruno Pinheiro: Não será surpresa nenhuma. Estamos conscientes disso. O grupo é humilde, tem consciência e já nos pusemos no lugar do Estoril: como é que nós entraríamos em campo se, à sétima jornada, não tivéssemos ganho? É uma opinião geral que o adversário vem com tudo. Acredito que venha com um sistema diferente, portanto, terão feito as suas adaptações. Para nós, taticamente, também será um desafio, porque acredito que venham jogar com três centrais, uma situação que esta época ainda não nos aconteceu. Não defrontámos nenhuma equipa com três defesas centrais. Há várias coisas que nos mantêm alerta e sabemos o que faríamos no lugar dos jogadores do Estoril. Não esperamos qualquer tipo de facilidades. Além disso, não podemos esquecer que muitos destes jogadores tiveram épocas muito boas no Estoril e já demonstraram ter uma qualidade individual muito boa. Poderia citar facilmente cinco ou seis nomes, como Holsgrove, Xeka, João Carvalho, Begraoui e Rafik Guitane, jogadores que nas últimas épocas estiveram no Estoril e fizeram um trabalho fantástico. A tabela classificativa não demonstra a qualidade individual da equipa. Estão a trabalhar com um treinador novo, que precisa do seu tempo para adaptar os novos jogadores. Tiveram agora estas três semanas e, certamente, virão mais fortes do que antes da paragem. Mas vai ter de dar. Vamos ter de ser capazes e vai ter de dar para o nosso lado. Tudo faremos para que caia a nosso favor.
– Falou do sistema. Acha que o Académico se sente mais confortável quando não tem de assumir o jogo? Pergunto isto porque vai jogar em casa e, por vezes, parece sentir-se mais confortável quando não tem de assumir tanto.
Bruno Pinheiro: Compreendo o que está a dizer. De qualquer forma, o que lhe posso dizer é que nós queremos sempre assumir o jogo. Uma coisa é assumir o jogo com responsabilidades; outra é tentar assumir o jogo quando há uma diferença grande entre os clubes e ninguém está à espera que a gente o consiga fazer. É provável que se sinta alguma diferença, mas acho que é, acima de tudo, pela expectativa que as pessoas criam. E o problema é mesmo esse: criar expectativas.Por exemplo, se agora estão à espera que o Académico vá golear o Estoril, estão com uma expectativa completamente errada, porque não há essa diferença de qualidade entre as equipas. Se olharem para a tabela, podem achar que isso pode acontecer, mas não nos podemos esquecer de que é muito cedo. Foram sete jornadas e, nesta fase do campeonato, a tabela ainda não mostra a realidade das equipas. Compreendo a sua pergunta, mas acho que isso acontece para quem está sempre com expectativas. ‘Hoje é um jogo que o Académico tem a obrigação de assumir’ e, se calhar, está à espera que o Académico assuma o jogo e consiga dominar o adversário. Na Primeira Liga não será fácil dominar adversários. Vão ser jogos extremamente competitivos. Acho que a expectativa das pessoas é que, quando jogamos com equipas maiores, sejamos, entre aspas, «amassados» e, quando isso não acontece, fica aquela sensação de «afinal, é bom». Depois, quando vem aquele jogo em que se pensa que o Académico vai conseguir fazer o mesmo, vê-se que, afinal, se calhar, não consegue estar aqui, só está aqui. Pode dar essa sensação. Julgo que será pelas expectativas que cada um tem.
– O Académico começou a época, perdoe a expressão, como o «patinho feio», foi melhorando e, à sétima jornada, está onde está. Estava no melhor momento da época quando chegou esta paragem. A pausa veio ou não mudar alguma coisa?
Bruno Pinheiro: Espero sinceramente que não. Não sendo hipócrita, estávamos num bom momento e teria sido bom continuar. Mas não pode servir de desculpa. Estamos aqui para ganhar jogos. A paragem tivemos de a usar, como digo, para melhorar o grupo. Acredito que trabalhámos para melhorar o grupo e acredito que vamos ter um grupo muito humilde, muito sério, mas também muito ambicioso.Como disse há pouco, vai ter de dar para o nosso lado. Queremos muito que os três pontos caiam para o nosso lado. Sabemos que o adversário vai jogar com níveis de concentração e agressividade muito elevados. Estamos preparados para isso, iremos dar uma resposta positiva. Acredito que, com muita dificuldade, também vai cair para o nosso lado, porque faremos tudo para que assim seja. Não poderá ser a paragem um problema para nós. Não pode ser.
– Há pouco disse que aproveitou estas semanas para integrar os jogadores que chegaram no final do mercado. Vai manter a mesma estratégia? Ou esses reforços já poderão entrar no onze, tendo em conta que o leque de opções está agora mais alargado?
Bruno Pinheiro: O leque de escolhas estará mais alargado. Poderá haver mexidas ou não, mas não lhe vou dizer hoje, até porque só amanhã é que os jogadores saberão quem irá jogar. Não iria cometer essa deselegância aqui. Além disso, ainda não tenho o onze definido. Para mim, o dia em que penso no onze é dois dias antes do jogo. Partem todos em igualdade. Observo sempre e faço uma análise da semana. Observo a semana toda de trabalho e só dois dias antes do jogo é que começo efetivamente, após a análise dos treinos da semana, a definir o onze.Portanto, não lhe posso dizer que vá haver alguma alteração no onze. Mas posso dizer-lhe que há um ou dois jogadores que somaram alguns pontos e que poderão ser, de facto, opções para serem titulares.