Equipa Profissional 2025-04-19

"Temos de reagir com dignidade"

O Académico de Viseu perdeu por 1-2 na receção do SCU Torreense. Os Viriatos saíram derrotados pela margem mínima, numa partida em que se adiantaram no marcador por intermédio de André Clóvis.

No rescaldo à derrota, Sérgio Vieira mostrou-se visivelmente frustrado com o desfecho do jogo, sobretudo por se tratar de um erro largamente antecipado e preparado: "Chegamos sempre ao fim dos jogos para falar dos pequenos detalhes, dos pequenos lances. Este foi ainda mais duro, porque trabalhámos o lance durante a semana. Sabíamos que o Torreense procurava aquela bola ao segundo poste — se forem ver nas plataformas digitais, já o fizeram em vários jogos. Tínhamos altura, foco, e preparámos tudo para ganhar esses duelos. Mas, naquele momento e naquela decisão, falhámos. E deixar o adversário — com todo o mérito que ele possa ter — marcar um golo daqueles, não podemos permitir. Demos vida ao Torreense com um lance que sabíamos de antemão e não podemos cometer este tipo de erros. 80% do jogo foi nosso. Temos trabalho, temos capacidade, mas lidamos com seres humanos, e por vezes, as decisões não saem como foram planeadas”.

Sobre as contas do campeonato, o treinador dos Viriatos reconhece que o cenário é complicado: "Matematicamente, está muito difícil. É uma frustração enorme, porque acredito — e continuo a acreditar — que este grupo tem qualidade e potencial, tanto individual como coletivamente. O projeto tem pernas para andar. Não podem ser os 36 anos fora da elite a pesar no que fazemos hoje. A insistência faz parte dos vencedores. Todo o vencedor teve de aguentar frustrações e pancadas. Faltam quatro jogos e temos de continuar a agarrar-nos ao que nos trouxe até aqui: rigor, profissionalismo, dignidade e honra. Carregar este emblema exige responsabilidade. É um clube com dimensão distrital e representatividade nacional. Nestes quatro jogos que faltam — Oliveirense, Portimonense, Vizela e Paços de Ferreira — temos de manter a atitude de lutar pela vitória, como temos feito até aqui”.

No final da partida, os jogadores e a equipa técnica reuniram-se no centro do campo, e Sérgio Vieira explicou o gesto, concluindo as declarações com uma mensagem de esperança e compromisso: "Foi um momento de união. Uma atitude conjunta, minha e dos jogadores mais experientes, para respeitar os adeptos que estiveram connosco — num dia frio, chuvoso, alguns até levaram com granizo. Estavam frustrados, irritados, e com razão. A única forma de aliviar esta frustração é ganhar no próximo jogo, e nos seguintes, até ao fim. Eu sei que isso não apaga tudo, mas não há outro caminho. Temos de reagir com dignidade, com humanidade. E saber viver também o momento da derrota”.

Com este resultado o Académico de Viseu mantém os 41 pontos na tabela classificativa da Liga Portugal 2. Na próxima sexta-feira, os Viriatos deslocam-se a Oliveira de Azeméis, onde defrontarão a UD Oliveirense a partir das 15H30.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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