Equipa Profissional 2025-02-09

Contem connosco

Na fria tarde viseense, sob o manto de um Fontelo vibrante, ergueu-se um Académico de ambição afiada, de alma incandescente. Entrou no relvado como quem escreve um poema em cada passe, em cada finta, em cada olhar faminto por glória. Desde o primeiro toque, sentia-se nas bancadas que a equipa se afirmava senhora do seu destino, ditando o ritmo, impondo a sua lei contra um adversário direto, que cedo sentiu o peso de enfrentar-nos embalados pelo fervor dos academistas.

Tomámos a dianteira com a naturalidade de quem comanda, com a fome de quem sabe o que quer. No coração da grande área, aos 10 minutos, Nikos Michelis surgiu como um raio, uma silhueta voraz na penumbra da defesa adversária. A bola sobrevoou o perigo, ficou presa no ressalto e, no meio do caos, o sorriso foi grego.

O Alverca tentava responder, mas era um grito sem eco, abafado pela muralha viseense. Não recuávamos, empurrávamos, construíamos e insistíamos. E se a sorte sorri aos audazes, o Académico foi, mais uma vez, o rosto do contrário. Aos 19, Brenner Lucas apareceu dentro da grande-área e, no sítio onde ninguém previa que chegasse, enviou a bola direita para o empate.

Com a frieza dos predestinados, o capitão André Almeida não se fez rogado. O Académico pressionava, deixava o Alverca retido na inferioridade e, com recurso a um canto à esquerda, o homem número quatro chegou mais cedo, cabeceou com precisão e fez explodir o Fontelo em êxtase. Era a justiça, a materialização de uma superioridade inequívoca.

Mas o futebol, caprichoso, tece histórias de reviravoltas impiedosas. A tarde que era aquecida pelo calor vestido de negro, conheceu o seu primeiro véu de sombra quando Diogo Almeida, num desabafo de ímpeto, viu a sua caminhada interrompida pela cor rubra do cartão. Reduzido a dez, o Académico viu-se forçado a reinventar-se, a dobrar-se sem quebrar, a resistir sem abdicar do seu espírito combativo. O Alverca, sentindo a vantagem numérica, lançou-se sobre o campo como uma tempestade desgovernada, procurando diluir a muralha de preto e branco na segunda parte.

E foi num daqueles instantes em que o destino se impõe, em que um detalhe altera o enredo, que Eduardo Ageu encontrou espaço para o improvável. Recolheu uma bola perdida na grande-área, armou o remate e desferiu um golpe cruel, de precisão milimétrica. A bola encontrou o ângulo que era preciso, traçando um empate que se tornava injusto para a bravura academista.

Nos minutos finais, o coração do Fontelo pulsava num descompasso entre o receio e a esperança. O Alverca, sedento pelo golpe final, investia sem clemência. O Académico ferido, mas indomável, reerguia-se a cada investida, com os seus homens a defenderem não apenas um resultado, mas um símbolo, uma identidade, uma nação unida pela paixão. Marinelli e Messeguem ainda fizeram tremer as bancadas com remates audaciosos, mas o destino decidiu que este domingo seria de resistência, não de glória total.

O apito final soou como um grito coletivo, um suspiro entre o alívio e a frustração. Dois pontos escaparam, mas uma verdade inegável emergiu entre as sombras de cinza: este não é apenas um grupo de jogadores, é uma equipa, uma nação academista mais forte e mais unida do que nunca. No Fontelo, onde se semeiam sonhos e se colhem lutas, ficou a certeza de que a história continua, e que a cada batalha, o Académico de Viseu se firma mais como uma equipa de alma imortal. Vai dar certo.

Partilhar:
Equipa Profissional

“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

Patrocinadores Principais