Equipa Profissional 2025-01-24

Renascimento no Fontelo

Nas Terras de Viriato, o passado cruza-se com o presente e, envolto em vida natural, o Fontelo é para sempre o nosso anfiteatro de sonhos. No palco desta tarde/noite, o Académico de Viseu ergueu-se como um gigante adormecido, saiu das amarras pontuais saiu determinado a reescrever a narrativa que há quatro jornadas o afastava das vitórias. Sob a batuta do timoneiro Sérgio Vieira, um estratega que molda homens e forja lendas, os academistas encararam o CD Feirense como verdadeiros Viriatos num campo de batalha.

Os primeiros minutos foram de domínio caseiro, um aviso de que o Académico vinha com sede de triunfo. Aos 16, como que guiado por um destino inevitável, Marquinho lançou um cruzamento perfeito vindo da esquerda. Lá estava Diogo Almeida, numa dança precisa com o esférico, a cabecear com alma. A bola beijou as redes e, com ela, explodiu o coração dos viseenses. Era o primeiro golo do jovem avançado, uma estreia gravada com a tinta dourada que nos promete qualquer coisa para o futuro.

Mas o futebol, com a sua imprevisibilidade, trouxe um revés. No acaso da primeira parte, Leandro Antunes aproveitou um momento de desatenção e devolveu o equilíbrio ao marcador. Foi um golpe, mas não um fim, isso não seria. O intervalo trouxe reflexão, e Sérgio Vieira, com a calma de um comandante experiente, orquestrou as mudanças que transformariam o jogo.

O segundo tempo foi de luta. Impulsionados pelos academistas, firmes e resilientes, aproximávamo-nos da vitória como um barco que enfrenta a tempestade, mas que não se desvia do rumo. Quando as forças pareciam titubear, eis que o destino ergueu um herói já esperado: Yuri Araújo. Aos 78 minutos, numa jogada onde o caos e a sorte se misturaram, a bola sobrou-lhe como um presente divino. E Yuri, com a precisão de um artesão e a força de um Viriato, disparou para o fundo da baliza. O Fontelo explodiu. Não foi apenas um golo, foi um rugido de afirmação, um grito de quem sonha e luta.

O apito final veio como uma redenção. Os três pontos ficaram em casa, e o Académico de Viseu regressou ao caminho das vitórias. Na relva, sob os olhares dos adeptos, colocou-se de pé uma equipa que não apenas venceu, mas que provou ser capaz de desafiar os céus.

Sérgio Vieira, o maestro desta sinfonia, vê agora o seu trabalho refletido na evolução da equipa. De jornada em jornada, o Académico aproxima-se dos lugares cimeiros, um passo de cada vez, como quem sobe uma montanha onde o topo é sinónimo de glória.

O Fontelo iluminou-se com o brilho da superação, da paixão e da crença inabalável destas gentes. E assim, com a alma renovada, continuamos a nossa caminhada.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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