Equipa Profissional 2024-12-21

Um fim de ano pontual

No fim de um 2024 em que as cores do Académico de Viseu brilharam em tantos palcos, o Portimão Estádio tornou-se o último cenário de uma jornada que agora se encerrava. Sob o céu limpo do Algarve, alguns bravos Viriatos que se deslocaram ao Sul do País, mas muitos outros que acompanharam o jogo à distância, reuniram-se para assistir a uma partida que se adivinhava complexa de desenlaçar.

O jogo começou em ritmo contido, como se o destino estivesse ainda a ajustar o seu enredo. Durante os primeiros minutos, as equipas testavam-se mutuamente, numa troca de movimentos que anunciava algo por vir. Aos 12 minutos, a tensão rompeu-se como uma corda puxada ao extremo. Miguel Bandarra, atento e oportuno, recuperou a bola no flanco direito. Num movimento rápido e preciso, avançou pelo corredor e serviu Gautier Ott. O francês, com a serenidade de quem sabe o que faz, disparou um remate potente que deixou Vinicius Silvestre sem resposta. O grito de golo com sotaque Beirão ecoou pelo estádio, e o Académico tomou a dianteira. Era o primeiro golo de Ott na temporada, mas parecia mais do que isso – era uma afirmação do poderio viseense.

O Portimonense, contudo, não aceitou o papel de figurante. Chico Banza criou momentos de perigo e, numa dessas jogadas, ultrapassou dois defensores. Frente a frente com Domen Gril, esbarrou na sua muralha eslovena. O guarda-redes do Académico, seguro e firme, foi o bastião que manteve os homens de preto em vantagem até ao intervalo.

A segunda metade trouxe novos contornos ao jogo. O Portimonense intensificou a pressão, encostando atrás a defesa academista. Aos 68 minutos, o destino, cruel e irónico, jogou a sua carta. Teo Fernandes cruzou da direita, e no afã de cortar o lançamento, João Pinto desviou a bola para a própria baliza. Um autogolo que igualava o marcador, deixando o Académico a lamentar a injustiça de um jogo que parecia controlado.

Mas os Viriatos não desistiram. O banco trouxe novas energias com as entradas de Nils Mortimer, Alan Marinelli, Famana Quizera e André Clóvis. Paulinho, incansável, ainda arrancou um remate rasteiro que obrigou Vinicius Silvestre a uma defesa apertada, aos 93 minutos. Era a essência do Académico em campo: uma equipa que nunca desiste, mesmo quando o cansaço pesa nas pernas e o relógio corre contra nós.

Os últimos minutos foram de pura tensão. Canto para o Portimonense, cabeceamento de Filipe Relvas por cima. O árbitro prolongava a espera, como se quisesse espremer cada segundo de emoção. Até que, aos 97 minutos, o apito final selou o destino. Um empate. 1-1. Um resultado que, talvez, não refletisse a valentia do Académico, mas que também não apagava o brilho de uma exibição lutadora.

E assim, em Portimão, o ano de 2024 chegou ao seu epílogo para os homens de Viseu. Um ano de batalhas travadas e de sonhos alimentados. Um ano em que, a cada jogo, o Académico reafirmou a sua identidade: uma equipa resiliente, destemida e apaixonada. Sob o céu do Algarve, ficou a promessa de que 2025 trará novas histórias, novos desafios e, quem sabe, novas conquistas.

No silêncio que se seguiu ao jogo, uma certeza pairava: o Académico de Viseu continuará a escrever a sua história, com garra, com fé e com a paixão de quem carrega nas costas o peso de uma região inteira.

Feliz Natal e Bom Ano Novo, Academistas.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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