No relvado do Fontelo, o Académico começou o duelo com a Oliveirense como quem carrega a responsabilidade de um emblema histórico, mas também o peso de vencer numa jornada importante. O jogo desenrolava-se com intensidade, marcado por intensos duelos e faltas aqui e ali, mas a equipa viseense era quem mais conseguia impor o seu ritmo, deixando sinais de perigo no último terço aveirense.
Mohamed Aidara, de cabeça, deu o primeiro aviso, mostrando que a baliza de Arthur Augusto não ficaria intocada por muito tempo. Minutos depois, Diogo Almeida teve a oportunidade de abrir o marcador, mas o remate do avançado português foi travado pela muralha defensiva da Oliveirense. A equipa visitante resistia como podia, mas o Académico continuava a crescer no encontro.
Aos 27 minutos, surgiu o momento que mudou a primeira parte. Num lançamento lateral aparentemente inofensivo, Nikos Michelis mostrou por que razão o futebol é feito de instantes de decisão. Acreditou mais do que todos os outros, desviando o ressalto do relvado e vencendo o guardião com um toque decisivo. O Fontelo vibrou com o golo que deu vantagem aos homens da casa e confirmou a coragem do defesa grego, que marcou o seu primeiro golo com as cores academistas.
Mesmo em vantagem, o Académico continuou a tentar. Nikos Michelis, confiante após o golo, arriscou de longe, e Diogo Almeida manteve-se ativo no coração da área adversária, mas sem sucesso. Do outro lado, a Oliveirense esboçava uma reação. Ricardo Schutte teve um golo anulado por fora de jogo, e Domen Gril, com reflexos de alto nível com sotaque esloveno, negou o empate com uma defesa espetacular a um calcanhar do mesmo avançado.
O intervalo chegou com o Académico em vantagem, mas a promessa de um segundo tempo ainda mais intenso pairava no ar fresco que se abatia no Fontelo. O mesmo começou como um teste à resiliência do Académico de Viseu. A vantagem mínima parecia insuficiente para acalmar os ânimos, num jogo onde cada lance podia virar o destino. Diogo Almeida quase ampliava, mas o poste negou-lhe o golo aos 49 minutos, numa jogada que poderia ter definido o encontro bem mais cedo.
A Oliveirense, faminta por um resultado melhor, foi crescendo no jogo, aproveitando a ligeira retração Beirã. Substituições de ambos os lados trouxeram energia renovada ao relvado. O Académico resistia com ordem, mas os forasteiros começaram a rondar, perigosamente, a baliza de Domen Gril.
O empate chegou de forma cruel. Aos 85 minutos, num livre lateral cobrado com potência, Soufiane Messeguem tentou afastar a bola, mas viu-a desviar no braço e entrar na sua própria baliza. O infortúnio parecia anunciar um final amargo para os Viriatos.
No entanto, o futebol é tão implacável quanto surpreendente. Messeguem, herói ao contrário segundo antes, redimiu-se com uma jogada que levou palpitações aos corações viseenses. O minuto era o 89, e Gabriel Noga desiquilibrara Alan Marinelli. O esférico, refém da decisão, sobrou para Messeguem. O alemão, dono do destino, rematou rasteiro e fuzilou o guarda-redes o fundo das redes, fazendo o Fontelo explodir em êxtase. O Académico voltava a liderar, reafirmando o espírito combativo que o define.
Quando o apito final soou, o marcador confirmava o merecido triunfo: 2-1 para o Académico de Viseu, num jogo onde a luta e a superação ditaram a o vencedor. Vamos em frente, Viriatos.