Equipa Profissional 2024-12-08

Ventania e escassez de tempo: um jogo tradicional levado ao limite

Na visita ao reduto do SCU Torreense, o Académico de Viseu entrou em campo ambicioso e determinado. A partida começou com os viseenses a explorar o lado esquerdo, criando cedo perigo num livre lateral, onde um corte quase traiu o guarda-redes Lucas Paes, que respondeu com uma defesa atenta.

Aos 20 minutos, Miguel Bandarra tentou a sua sorte de longe, num remate espontâneo que testou, novamente, a atenção do guarda-redes adversário. Simão Silva, pouco depois, encontrou espaço na esquerda, mas o seu remate saiu sem a força necessária para ameaçar a baliza.

O Torreense respondeu e, aos 23 minutos, foi eficaz na sua primeira oportunidade clara de golo. Tobias Thomsen assistiu de cabeça Léo Azevedo, que não perdoou e colocou os da casa em vantagem. Apesar do golo sofrido, o Académico não se rendeu. Passou a ter mais bola e pressionou, com várias investidas que obrigaram a defesa contrária a redobrar esforços.

Nos minutos finais da primeira parte, os homens de Rui Ferreira intensificaram o ataque. Um possível penálti por mão na bola gerou protestos vigorosos, mas o árbitro, após ouvir o VAR, mandou seguir. O apito para o intervalo encontrou um Académico combativo, ainda em busca do empate e determinado a mudar a história do jogo no segundo tempo.

Mostrando a sua garra, que reveste a armadura das gentes da Beira, mas sem colher os frutos do esforço, restava agora lutar por uma reviravolta nos segundos 45 minutos.

Logo no recomeço, o Académico introduziu mudanças com as entradas de Gautier Ott e Nils Mortimer, tentando injetar criatividade no ataque. A equipa mostrou sinais de crescimento, especialmente, pela ala esquerda, onde Henrique Gomes e Gautier criaram várias situações de perigo. Aos 62 minutos, Paulinho esteve muito perto de empatar com um remate poderoso que beijou a barra, desviado ainda em Javi Vázquez.

O Académico manteve a pressão, sempre em cima. André Clóvis teve um lance que primordial seria, ao tirar dois defesas do caminho. No entanto, o brasileiro encontrou em Lucas Paes um verdadeiro muro que, com uma defesa espetacular, manteve o Torreense em vantagem. Do outro lado, Domen Gril também brilhou, evitando que Léo Azevedo ampliasse a vantagem com uma fantástica defesa em cima da linha.

As substituições do Torreense, incluindo a entrada de Miguel Rebelo, ajudaram a equipa da casa a respirar e a travar o ímpeto Beirão. Apesar das várias investidas e da entrega total dos viseenses, a eficácia ofensiva não se traduziu em golos.

Nos minutos finais, um livre lateral prometia o empate para quem o merecia, mas a defesa do Torreense mostrou-se imbatível até ao último apito. Com o tempo útil a escassear, fruto de uma perda de tempo atroz, que atrasou todo e qualquer rolar da bola, a vitória sorriu aos homens da casa.

O Académico, ainda que derrotado, saiu de cabeça erguida, deixando em campo o espírito combativo que tanto o caracteriza. Encontramo-nos no Fontelo academistas, porque terão de contar connosco.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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