Equipa Profissional 2024-11-29

Três pontos descobertos entre a névoa

A tarde vestira-se de ansiedade e paixão. Em cada canto do Fontelo, um respirar tenso, uma esperança que vibrava no compasso das pancadas no tambor da alma viseense, que rufava há três semanas consecutivas. O Académico, gigante em humildade, recebia o Leixões SC, os “bebés do mar”, numa discussão intensa que prometia decidir destinos, alimentar sonhos e, sem dúvida, descolar a igualdade pontual entre ambos.
 
Os primeiros instantes foram de aviso. Um cruzar de espadas ainda sem golpes certeiros, mas com intenções claras. Yuri Araújo, incansável camisola 7, ameaçou cedo, mas a fortuna não lhe sorriu. Minutos depois, um cabeceamento de Simão Silva testou Dani Figueira que, com dificuldade, negou o golo ao jovem estreante a titular. A batalha pelo domínio fazia tremer a relva, onde se abatia uma névoa que dava toques visuais de tensão e mistério.
 
Aos vinte e um minutos, porém, o inevitável aconteceu. Paulinho, o criador, cruzou da direita para a confusão. Ressalto ali, ressalto acolá, e a bola encontrou André Clóvis, que, em meio ao caos da área, encontrou a ordem que só os predestinados enxergam. Um remate à queima-roupa, uma sentença sem apelação. O Fontelo explodiu. Era o primeiro golpe, e o Académico mostrava que esta noite seria sua.
 
A primeira parte terminou com o equilíbrio a dar lugar ao pragmatismo. O Leixões, ainda que ousado, esbarrava na organização defensiva do Académico, onde Sori Mané comandava como um verdadeiro líder. Do outro lado, os viseenses souberam gerir o cronómetro, mas prometiam mais.
 
No segundo tempo, as equipas trouxeram maior intensidade. O Leixões cresceu, ousou. Régis Ndo e Kibe foram apostas ofensivas, mas encontraram pela frente um muro chamado Domen Gril. Quando o empate parecia iminente, o guardião transformou-se em rei dos eslovenos, negando com bravura o tento adversário.
 
E então, veio o momento que transformaria a vitória em epopeia. Aos 87 minutos, o Académico voltou a atacar com precisão. Sori Mané, maestro na transição, lançou Marinelli com a serenidade de um visionário. O argentino, numa finalização de primeira, selou o destino do jogo. Dois a zero e o Fontelo em êxtase.
 
Nos instantes finais, o relógio corria lento, mas o Leixões já não encontrava força para reagir. O Académico, senhor de si, mostrou o porquê de ser mais que um adversário: é uma identidade. É raça, é paixão, é vitória.
 
O apito final não foi um encerramento. Foi um início. O início de uma festa, de um orgulho que transcende o tempo. O Académico venceu, mas mais do que números, foram emoções que preencheram o Fontelo. Nesta noite, Viseu não dormiu. Porque não se dorme quando se testemunha a grandeza. E, hoje, a grandeza voltou a vestiu-se de preto e branco.
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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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