Equipa Profissional 2024-10-26

Liberdade no 25 de abril

Livres e tranquilos, como peixes dentro de água ou, melhor dizendo, como Viriatos em plena guerra.

Levados ao colo pelo espírito de rendição, mudança e lealdade às suas gentes, os academistas entraram num campo matinal com sotaque do Norte, onde morava até então o conquistador do pelotão da frente da tabela classificativa. Penafiel, de seu nome, encarava-nos no Municipal 25 de abril sem qualquer derrota para o campeonato na presente temporada, mas com mais 120 minutos nas pernas, após a eliminação caseira da Taça na passada segunda-feira. O líder partia em vantagem teórica mas, deste lado, existiam contas a acertar com o destino e com a sorte. E que melhor forma de o fazer, senão numa manhã de névoa, onde as somas e subtrações do passado estavam em jogo?

O começo da batalha desenrolou-se em todos os pontos possíveis do seu campo. No meio-campo, na defesa ou na metade atacante, os duelos pela posse iam intensificando-se até às primeiras duas aproximações das balizas: aos oito, Clóvis cabeceou frouxo antes de, 11 minutos depois, disparar com pólvora seca um remate fácil para o guardião Manuel Baldé.

A resposta dos da casa apareceu entre nuvens em cima da primeira meia hora, mas o remate de João Silva subiu demasiado e não afetou o nosso príncipe esloveno entre os postes. No entanto, os bravos viseenses eram mais intensos, tinham mais bola e trocavam-na melhor entre si. Yuri Araújo, de braçadeira envergada, conduzia as operações lá na frente, mas nem um segundo cabeceamento de André Clóvis aos 33 (o que seria se marcasse neste minuto), nem o facto de ter aparecido, em cima dos 45, frente a frente com o guarda-redes penafidelense, foram capazes de mudar o rumo dos acontecimentos do primeiro tempo.

0-0 e tudo para os balneários.

A segunda parte prometia tudo aquilo que conseguíssemos desejar ao intervalo, e quem pediu dois golos sem resposta teve a sorte grande. Apesar da boa entrada do Penafiel, com oportunidades nos pés de Gabriel Barbosa, Robinho e João Miguel, o Académico mantinha a superioridade na posse e, acima de tudo, inverteu uma tendência de brutal importância no seu jogo: a tranquilidade e coesão defensivas. Serenos e conscientes da sua valia, vislumbraram a investida contrária, sustendo a respiração e unindo esforços, aspetos que reconstruiram a muralha Beirã.

Podendo respirar de novo, era hora de responder em força e, a quinze minutos do fim, o grito mais bonito do futebol foi entoado com sotaque academista. Numa enormíssima jogada coletiva, Samba Koné fez o esférico sobrevoar até ao lado direito do movimento ofensivo, onde Paulinho surgiu em pezinhos de lã. O lateral subiu à linha final e levou na frente tudo e todos, até cruzar para uma defesa incompleta do guarda-redes, que precedeu o desvio final de André Clóvis para o 0-1.

Impotentes nos minutos seguintes, os nortenhos não mais ameaçaram a baliza de Gril, que de longe viu, aos 87 minutos, a estocada final. De um livre lateral de Gautier, Sori Mané ganhou na dividida aérea, que levou a bola à altura perfeita. Sem deixá-la cair, e com recurso ao pior pé (o esquerdo), Samba Koné rematou de primeira e fuzilou (quase literalmente) a baliza adversária, completando a sua estreia a marcar pelo Académico de Viseu em jogos oficiais.

A cereja no topo do bolo só ficou corretamente colocada quando, no jogo em que Yuri Araújo se tornou no internacional com mais jogos de sempre pelo emblema beirão (195), Simão Silva também conheceu um dos momentos da sua jovem carreira: após a estreia pela equipa principal na Taça de Portugal, cumpriu hoje o primeiro jogo nas competições profissionais.

Esta é uma história de luta, confiança, competência mas, sobretudo, de liberdade. Liberdade de pensamento, de qualidade, liberdade das amarras do passado. Liberdade de acreditarmos de, no futuro, sermos e sonharmos com o que quisermos. Fiquem desse lado e esperem pelos próximos episódios. Avante, Académico.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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