Equipa Profissional 2024-02-21

Uma bomba na monotonia

Em partida adiada da 20ª jornada da Liga Portugal 2, os Viriatos viajaram de novo até Santa Maria da Feira, enfrentando em campo os fogaceiros da casa, num duelo que prometia ser uma verdadeira prova de fogo para ambas as equipas. Alertados dos perigos desta tarde/noite no Marcolino de Castro, os comandados de Jorge Simão não tremeram, dando mais uma vez provas do potencial desta equipa.

O primeiro tempo revelou-se uma travessia por águas mornas, com ambas os conjuntos a discutir a posse de bola numa dança cautelosa pelo meio-campo. Apesar da maior iniciativa do Feirense e das tentativas de invasão à baliza, foram os Viriatos que lançaram os dois primeiros alertas, aos 12 e 14 minutos, com Gautier e Famana a acenderem as luzes encarnadas à guarda de Calai. Determinados e bem organizados, os homens de Viseu mostraram-se inabaláveis perante os esforços dos fogaceiros, terminando os primeiros 45 minutos por cima da partida.

E se o primeiro tempo transcorreu num ritmo pouco entusiasmante, ao retornar dos balneários, a equipa de Jorge Simão manteve-se determinada em transformar o perigo em golos. E foi com sotaque brasileiro que a noite de glória começou. Na transformação de um canto, à passagem dos 62 minutos, a defensiva da casa tirou para fora da grande-área. Oportuno, "Marquinho Canarinho" recebeu e encheu o pé esquerdo ainda de longe, aplicando uma autêntica bomba na monotonia que se sentia, e que "estourou" nas mãos de Diego Calai. O guardião ainda lhe tocou, mas não evitou que a redondinha entrasse dentro da baliza, fazendo o 1-0. (Spoiler Alert - O médio não vai ficar por aqui). E se muitas vezes uma equipa relaxa após marcar, dando espaço ao adversário, foi precisamente o oposto que fez o Académico. Aos 69 minutos, ouviu-se novamente o grito de Viriato em Santa Maria da Feira. Após uma recuperação de bola em terreno atacante, Marquinho orquestrou um cruzamento para Famana Quizera, que vinha em velocidade-cruzeiro, e cujo remate falhado acabou por oferecer a André Clóvis o segundo golo da noite. A vibração dos cerca de cinquenta adeptos academistas presentes na Feira ecoou pelo estádio, reconhecendo-lhes o apoio incansável.

Antes de confirmar a vitória, o Académico teve ainda outras duas grandes oportunidades, através de Clóvis e Igor Milioransa, que poderiam ter ampliado ainda mais o resultado. No entanto, foi aos 88 minutos que Gautier, com uma jogada brilhante de quem parecia ter entrado há segundos em jogo, ultrapassou meia defesa fogaceira pelo lado esquerdo do ataque. Após o cruzamento ser cortado, Messeguem chegou parecia uma mota, encostando para Marquinho que aguardava ansiosamente o seu bis. Poeticamente, o brasileiro rematou devagar (devagarinho) uma bola que ainda embateu no poste antes de entrar. A atuação de destaque de jovem médio, que marcou presença nos três golos viseenses, valeu-lhe o título de Homem do Jogo.

Uma noite de festa e orgulho para os adeptos do Académico, que viram a sua equipa brilhar no relvado do Marcolino de Castro. Com as contas do calendário ajustadas, o caminho para o topo continua a ser perseguido pelos Viriatos, que agora olham ainda mais determinados para o horizonte. Ainda falta tanto, meus amigos.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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