Equipa Profissional 2023-10-07

Um desaire açoriano

Foi com uma tarde de chuva copiosa, que a Ilha de São Miguel recebeu o encontro inaugural da jornada sete da Liga Portugal SABSEG. Ao contrário de todo o país, onde impera o sol e o calor, a partida desta sexta-feira, entre Santa Clara e Académico de Viseu, foi “benzida” pelas nuvens do Arquipélago Regional.

Com um início equilibrado, e por algumas vezes mal jogado, o encontro entre açorianos e viseenses começou morno. Registando-se um ligeiro ascendente dos da casa, os lances de aproximação às duas balizas foram surgindo de forma natural.

Numa abordagem infeliz, pouco depois dos primeiros 10 minutos, Miguel Bandarra tocou inadvertidamente com a mão na bola, gerando a grande penalidade com que a equipa da casa saiu na frente do marcador. Bruno Almeida rematou forte, não dando quaisquer hipóteses a Domen Gril.

A partir do 1-0, a partida ficou ao encargo beirão, que começou a dominar a posse de bola, mas sem encontrar a chave das oportunidades de golo. Confortável em campo, e perante a pressão alta dos academistas, a turma visitada foi impedindo, com maior ou menor facilidade, que o Académico se aproximasse com perigo da baliza açoriana. A exceção dos primeiros 45 minutos, surgiu já dentro do período de descontos. Num bom movimento do meio para a linha, Miguel Bandarra apareceu na projeção da grande área, cruzando para André Clóvis. O ponta de lança brasileiro, pressionado, conseguiu um remate que ainda tirou tinta ao poste da baliza, à guarda de Gabriel Batista.

A segunda metade começou com duas mexidas, que operaram as entradas de Daniel Labila e de Steven Petkov. A equipa viseense entrou melhor, tentando chegar ao empate com bastante intensidade. Ainda assim, passados oito minutos dos 45 (53 no cronómetro), o Santa Clara ampliou a vantagem, através de um livre direto. Novamente Bruno Almeida, contou com um desvio na barreira e com a escorregadela do guardião academista, para fazer o 2-0. Este seria um duro golpe nas pretensões beirãs.

Unidos pela vontade de alterar o rumo dos acontecimentos, os viriatos partiram para cima do adversário, dominando de novo a posse de bola, mas sem conseguir ligar o jogo com a rapidez necessária, capaz de levar a equipa à baliza dos insulares. Assumindo a iniciativa, pela frente surgiu uma defesa bem posicionada, que não se deixou incomodar pelo ímpeto viseense. Após duas boas oportunidades (uma de Maiga, aos 72 e outra de Arthur Chaves, em cima dos 90 minutos), o Académico não foi mais capaz de contrariar a superioridade caseira, somando assim a segunda derrota no campeonato.

Nas próximas duas semanas, há nova paragem interna, estando o próximo compromisso oficial, marcado apenas para dia 21 de outubro. Será, portanto, uma excelente oportunidade para parar, refletir e corrigir os erros. A cabeça terá de continuar levantada para cima, porque no meio de uma maratona, os momentos difíceis são propícios de acontecer.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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