Equipa Profissional 2023-09-29

Hora de colocar os pontos nos Is

O relógio marca 11H do primeiro dia do mês de outubro de 2023. No Estádio do Fontelo, sob uma manhã de céu azul e de calor, o juiz da Associação de Futebol do Porto, João Gonçalves, apita para o início da partida entre o Académico de Viseu e a AVS, ouvindo-se um “Força Académico” nas colunas do recinto viseense. Com os adeptos academistas em peso, a turma ao comando de Vítor Martins (o viriato que está de regresso ao banco de suplentes, pronto para nova batalha) arranca para a próxima vitória caseira, a segunda no campeonato.

Com mais ou menos nuances, este será o quadro que um artista poderá ilustrar, sobre o início do próximo encontro do Académico de Viseu. A cidade entusiasma-se com um regresso há muito esperado: desde 26 de agosto, data que marcou o primeiro triunfo da época (por 2-0, frente ao Feirense), o conjunto beirão não mais jogou em casa para qualquer competição. Seguiram-se três jogos fora de portas, mas perto de casa: empates nos terrenos de Penafiel e Oliveirense, para o campeonato, e a vitória frente ao Lourosa, a contar para a Taça de Portugal. Ainda que os academistas tenham respondido afirmativamente, no apoio aos seus jogadores nas deslocações da equipa, jogar em casa tem outra magia. O público do Fontelo tem sido preponderante nos nossos sucessos, pelo carinho, garra e força que tem o condão de transmitir para o relvado. Em casa, tem sido fácil vencer e, além disso, vencer bem. Preparamo-nos para uma nova enchente, alavancada pelas duas principais iniciativas levadas a cabo nesta partida: aos sócios cativos, é oferecido um bilhete extra, e aos adeptos com mais de 65 anos (no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Idoso), é oferecida a entrada gratuita.

Estão, portanto, reunidas as condições perfeitas para a receção ao atual líder do campeonato e é, por isso, “hora de colocar os pontos nos is”. Se, até esta altura, as exibições têm sido mais positivas que os resultados, é tempo de traduzir a superioridade, as oportunidades e o ataque perigoso, em golos que tragam os três pontos. Algo que temos repetido nas crónicas de antevisão, é mesmo o facto de ser este, o único fator que por vezes tem falhado presencialmente nos nossos jogos: o triunfo. Nesse seguimento, a nação Viriathus acredita numa descolagem da tripulação viseense, rumo à constelação onde se encontram as estrelas do pódio.

A invencibilidade manteve-se intacta após a visita a Lourosa, aumentando o número de jogos que fazem desta, uma equipa a que ainda ninguém venceu desde o começo do campeonato. Pela frente, um outro conjunto que não perdeu para a Liga SABSEG, mas que vem do primeiro desaire da temporada, na passada terça-feira, frente ao Arouca em compromisso referente à ALLIANZ Cup.

Desta feita, não abordaremos o histórico de confrontos, visto ser esta a primeira vez em que Académico de Viseu e AVS se defrontam. O clube recém-criado, que conta com a maioria dos jogadores e estrutura da antiga UD Vilafranquense, segue em primeiro lugar da tabela, com 13 pontos.

Na teoria, esta é uma batalha com características únicas, capazes de criar as melhores condições possíveis, para a tal “descolagem” onde já todos merecemos entrar. Segurem-se bem e coloquem os cintos, estamos prestes a iniciar a contagem decrescente para a nossa trajetória de subida.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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