Equipa Profissional 2023-04-24

Quando não é para dar, não dá

Ouvimos muitas vezes a expressão que serve de título a esta crónica, em situações em que o sentimento que nos envolve é o de que podíamos continuar a fazer de tudo, que o desfecho seria sempre o mesmo.

É talvez a melhor explicação de tudo o que aconteceu na manhã do passado sábado, no Estádio Municipal do Fontelo, de onde o Académico de Viseu saiu derrotado pela Oliveirense, por 1-4. A equipa beirã partiu para mais uma final da sua caminhada, focada e mentalizada apenas na vitória (tal como em todos os outros jogos) e a sua entrada em campo foi bastante positiva e superior, na mesma linha das restantes entradas em partidas anteriores, que traçam a sua qualidade, ambição e vontade de vencer.

Mas nesta manhã houve uma diferença...a bola não entrou. Não entrou e não queria entrar, fez de tudo para cancelar o triplo dos remates com que o Académico terminou a partida (face ao adversário), a vantagem na posse de bola e o facto de ter tido mais 10(!) oportunidades de fazer golo. Foi uma manhã estranha, uma partida assombrada pela falta de eficácia de um conjunto de jogadores que também a esta maré de azar têm direito.

A União Oliveirense aproveitou e, com a qualidade que também se lhe reconhece, foi para intervalo a vencer por 0-3 após 45 minutos onde chegou por apenas três vezes à baliza viseense (100% de eficácia). Mas em Viseu não se desiste, e as mexidas ao intervalo onde entraram Rodrigo Pereira e Roberto Massimo agitaram o ataque beirão, mas não resolveram o problema da eficácia. E do outro lado, perante uma defensiva que também teve um dia de menor acerto, a Oliveirense fez o quarto e arrumou a questão do resultado. Rodrigo e Massimo ainda responderam, num golo criado pelo ponta de lança português que serviu o alemão para o 1-4 com que terminou a partida. Destaque-se também a expulsão inacreditável de Famana Quisera, após o médio academista receber o segundo cartão amarelo num lance em que estava a ser agarrado e onde em momento algum atingiu o adversário de forma propositada. Falha a deslocação à Trofa.

Agora é tempo de trabalhar, perceber os erros cometidos e não deixar de acreditar. Porque aqui…ninguém atira a toalha ao chão.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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