Equipa Profissional 2026-10-23

“Em Alvalade, temos de mostrar organização com bola”

Na antevisão à deslocação ao Estádio José de Alvalade, para defrontar o Sporting, Bruno Pinheiro destacou as principais qualidades da equipa de Rui Borges – a quem dirige elogios pelo trabalho realizado ao serviço dos leões – e identificou aquele que poderá ser o segredo do Académico. “Se quisermos fazer um jogo competente, competitivo e a discutir o resultado, temos de ter bola e é esse o desafio”, atira o técnico que considera, ainda, os primeiros vinte minutos como importantes: “Se resistirmos, poderemos começar a fazer o nosso jogo.” O objetivo nesta partida “é trazer pontos”, tal como em todas as outras.

O Académico arrancou esta época a empatar no Estádio da Luz. Sente que a equipa pode repetir a proeza em Alvalade?

Se não acreditássemos que fosse possível pontuar, creio que [o jogo] perdia o interesse e sabemos como o futebol é rico em surpresas. Obviamente que o Sporting é o favorito neste jogo, mas iremos tentar, de acordo com as nossas armas e a análise que fizemos do adversário, apresentar uma equipa que vá criar dificuldades ao Sporting. O grande objetivo é trazer pontos. Trabalhamos todos os dias com a ambição de ganhar todos os jogos. Independentemente do nível das equipas, há dificuldades diferentes de jogo para jogo e mesmo sabendo que defrontar o Sporting é um desafio de intensidade máxima, a ambição não deixa de existir. Vamos apanhar um adversário que é fortíssimo e, para além disso, vem de uma derrota e quererá deixar uma imagem diferente. O Sporting é muito pressionante e não vai querer deixar-nos jogar com bola. Vamos ter muitas dificuldades em roubar a bola ao adversário porque este tem muita qualidade individual e coletiva. Vai ser exigência máxima, mas a vontade é de pontuar.

Este jogo, por ser contra um grande, tem um peso diferente dos outros?

São jogos diferentes. Trabalhamos à luz de princípios, ofensivos e defensivos. Temos os nossos princípios de jogo, que se mantêm de jogo para jogo, o que muda é o plano de jogo em função de estruturas e dinâmicas de pressão que o adversário tenha. Esta semana de trabalho foi igual a todas as outras. Uma das bases de trabalho que temos é analisar o jogo anterior e tentar corrigir o que fizemos menos bem. Focamo-nos muito naquilo que queremos com e sem bola e adaptamos isso às dificuldades que sabemos que o adversário nos pode criar.

Quais as maiores qualidades deste Sporting? E de que forma é que o Académico pode surpreender a equipa de Rui Borges?

Do Académico, vou falar muito pouco porque não quero entregar nada ao adversário, fico caladinho. Temos noção das nossas capacidades e limitações, mas guardo-as para mim. Já quanto ao Sporting, creio que já falei um pouco, a qualidade individual está lá a todos os níveis. Tem jogadores rápidos, muito talentosos tecnicamente, são fortes no contacto físico. E em termos coletivos, é uma equipa que trabalha com o mesmo treinador há já algum tempo, o que, só por si, já é um fator de maior força coletiva.Honestamente, acho que o Rui Borges tem feito um excelente trabalho no Sporting e esperamos um jogo muito difícil.

Qual será o segredo para o Académico poder surpreender o adversário? Resistir à entrada do Sporting é fundamental?

Espero uma entrada muito forte do Sporting, a não deixar o Académico ter bola, mas acredito que se conseguirmos resistir na fase inicial, a espaços teremos mais bola e poderemos crescer no jogo com o passar do tempo. Ofensivamente, é uma equipa muito difícil de travar, os jogadores do Sporting têm uma grande mobilidade, o que não permite ter muitas referências em termos defensivos. E ainda mostra uma capacidade de desequilíbrio muito grande no 1x1 nos seus corredores. Se resistirmos aos primeiros vinte minutos, poderemos começar a fazer o nosso jogo, e aí sim, crescer um pouco e equilibrar mais as contas.

Deu oportunidade a Paulinho no jogo com o Fátima, mas Bouldini, que até já resolveu um jogo esta época, não foi convocado. Por que razão?

Dei oportunidade ao Paulinho, como poderia ter dado ao Bouldini, mas não poderia deixar de ter o André Clóvis no banco para o caso de alguma coisa correr mal, como acabou por correr. Não podia deixar de ter o melhor marcador com a equipa. As convocatórias da Taça são mais curtas do que as da Liga. Por isso, não justificava levar três avançados e ter algumas posições sem poder fazer trocas.

Valery Fernández fez a estreia com o Fátima, entrando na ponta final da partida. Quando poderemos ver Valery a ser mais útil esta época?

O Valery começou mais tarde a época, não vinha preparado para as exigências físicas, teve esse trabalho para fazer e estamos a integrá-lo aos poucos. Teve alguns minutos [frente ao Fátima] e poderá vir a ter também na Taça da Liga. Eu confio nos jogadores e acho que no jogo da Taça o resultado não foi ao encontro da preparação que fizemos. Ficámos tristes e incomodados com o resultado, mas a verdade é que todos os jogadores que alinharam justificavam essa aposta. Tinham e continuam a ter a minha confiança e é com todos eles que contamos.

Estudou o adversário e já disse que vão enfrentar uma equipa com uma enorme mobilidade. Há algum segredo na forma como o Académico vai defender?

Eu acredito que a melhor forma de defender é jogando com bola. Quanto mais bola tivermos, menos o adversário tem condições para realizar os seus ataques. Ainda assim, ter a posse só pela posse pode, até, ser prejudicial. Se quisermos fazer um jogo competente, competitivo e a discutir o resultado, temos de ter bola e é esse o desafio. O Sporting irá utilizar uma pressão homem-a-homem e poderá criar-nos muita dificuldade no nosso processo ofensivo. Temos de mostrar organização com bola. Sabemos que dificilmente teremos mais bola do que o Sporting, mas devemos mostrar que sabemos o que fazer com a bola sempre que a tivermos.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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