A segunda vitória do Académico na Liga Betclic, que assinalou o regresso academista aos triunfos em pleno Fontelo, 37 anos depois, significou, também, o melhor arranque de sempre na Liga – uma conjugação história de fatores, celebrada de forma épica pelas bancadas de um estádio mais uma vez lotado (três jogos, três casas cheias). Na conferência de Imprensa que se seguiu ao 2-1 contra o Vitória SC, o treinador Bruno Pinheiro não esqueceu, mais uma vez, a importância dos adeptos e o carácter dos jogadores e da equipa: “podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas há uma coisa que nunca nos vão poder apontar: é falta de vontade, falta de atitude, falta de querer”.
Sobre a aposta final em Bouldini e o garantir da vitória.
Apostei no último minuto porque, de facto, o Clóvis é o Clóvis. Havia duas opções: manter o Clóvis em campo e meter mais um avançado para tentar ganhar o jogo; ou trocar homem por homem, porque achei que o Clóvis já estava muito desgastado e que já não conseguiria ter o impacto que o Boldini teria. Fomos felizes, o Boldini entrou, acabou por fazer o golo. Muitas vezes somos criticados pelas substituições, nós vivemos com esses dilemas e temos de tomar decisões. Senti que se metesse dois avançados, poderia manter o Clóvis, mas teria de destapar noutro lado. Fui feliz. O jogador entrou e foi feliz também. Este grupo merece muito somar pontos e estou feliz pelo grupo.
Sobre a entrada mais forte do Académico e o que procurou corrigir ao intervalo.
Fomos surpreendidos na fase inicial porque o Vitória defende sempre em 4-4-2. Muitas vezes, quando ativam as pressões e nas variações, o médio do lado oposto à bola sai a pressionar o médio defensivo. E hoje fizeram algo diferente. Portanto, vieram numa espécie de 4-2-3-1, fecharam o 6, fizeram homem a homem no meio, e isso retirava muita capacidade de construção. O que fizemos ao intervalo foi corrigir o posicionamento do Luís Silva, para arrastar o 10 com ele e libertar o central. Ou, se o extremo ficasse agressivo, libertar o lateral. E foi por aí. Muitas vezes sei que as pessoas não gostam de ver o passe para trás, mas a verdade é que, se repararem, a maioria das vezes que a bola foi ao Ewerton, o jogo desbloqueou. Muitas vezes o Vitória acabava por ficar homem a homem, porque o lateral do Vitória saltava no nosso lateral e, naquelas bolas longas, tivemos três ou quatro lances em que poderíamos ter desequilibrado o jogo a nosso favor. Portanto, fizemos essa correção. Defensivamente, tentámos que a equipa se compactasse mais porque, na primeira parte, senti que fomos muito atrás das referências; na segunda parte, conseguimos muito mais vezes ativar a pressão e levámos muito mais vezes o Vitória até ao seu guarda-redes. Portanto, foram essas as duas correções. Só fiz uma correção ofensiva e uma defensiva. Acho que, às vezes, a simplicidade ajuda muito os jogadores e é o que tento fazer.
Sobre os oito pontos e a posição do Académico na Liga.
Uma coisa lhe posso dizer: podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas há uma coisa que nunca nos vão poder apontar: é falta de vontade, falta de atitude, falta de querer. Podem-nos apontar falta de qualidade, mas falta de querer não nos podem apontar. E este grupo é fortíssimo. Eu sempre... quando vim para o Académico, foi sempre aquilo que eu disse, que destaquei quando analisei o Académico: senti sempre que era um grupo diferente, no querer, e na postura. O Luís Silva, como capitão, é um exemplo deste grupo, de vontade, querer, de liderança, de qualidade de saber estar, em jogo, em treino. Há vários jogadores que o seguem e isso faz com que o grupo acabe por criar essa essa essa postura. Portanto, é um grande grupo. Só o Ewerton é que está a jogar, de quem entrou esta época. Os reforços vão ter de conquistar o seu espaço. Estes rapazes estão cá para dar luta. Quem chegou vai ter que se adaptar, primeiro porque também houve dois ou três reforços que fisicamente não chegaram bem, porque não estavam a trabalhar; há esse período de adaptação para eles. Outros, como o Mestanza, estão muito bem, bem integrados, são uma mais-valia e ajudam imenso; mas todos eles vão ter que dar aos chinelos para descalçar os colegas que estão cá.
Sobre o peso e herança da equipa que se afirmou e subiu de divisão
O peso foi aquele que eu aceitei. Sabia para aquilo que vinha. Também disse, antes de começar o campeonato, honestamente, que acho que este é o maior desafio da minha carreira. Mas tive muita vontade de o abraçar. Quando cheguei, confirmei tudo aquilo que que tinha sido o meu feeling. E volto a repetir: podemos não ser os melhores do mundo, mas de vontade e de querer ninguém nos vai nunca poder apontar nada. Agora, obviamente, há um período de adaptação. Acho que podemos jogar melhor, vamos conseguir jogar melhor. A verdade é que estamos a defrontar o Vitória de Guimarães. E não nos podemos esquecer disso. Agora, trabalhamos com o que temos, com humildade, e com o carácter que temos. Sabemos que vai ser sofrido. Faltam 28 batalhas, nas quais vamos dar o nosso melhor; e acreditamos muito que vamos ser felizes no fim, sabendo que vai ser difícil. Jogamos com os jogadores que estavam na Segunda Liga e, para já, estamos a fazê-lo bem e eles estão estão de parabéns. Queremos muito jogar melhor e peço alguma paciência aos adeptos porque eu sei que os adeptos gostam sempre de um jogo muito vertical, muito para a frente, mas temos que jogar com o que temos. E, muitas vezes, quando precisamos de ter mais tempo e espaço, às vezes precisamos de fazer esticar a equipa contrária para, depois, como hoje aconteceu três ou quatro vezes, conseguirmos dar seguimento para a frente e criar toportunidades de golo. Queremos muito ganhar. As pessoas compreendam isso; e apoiem-nos. Queremos dar muitas alegrias aos nossos adeptos aqui em casa, no Fontelo.
Sobre o facto de o treinador adversário referir que o Vitória não merecia perder; e sobre o Fontelo lotado e o apoio dos adeptos.
Acredito que podemos ganhar os jogos todos, senão não podia ser o treinador. Acho que também não merecíamos perder com o Santa Clara, e acho que não merecíamos empatar com o Marítimo… Agora, eu só posso dizer que estou muito contente de ter feito os primeiros golos no Fontelo, ter sentido a vibração dentro do campo, dos adeptos, quando houve os golos; a vibração dos adeptos quando foi o apito final, o alívio de toda a gente… estou muito satisfeito pelos três pontos e muito satisfeito por termos sempre casa cheia, mesmo nos momentos difíceis; por isso peço essa compreensão a todos, vai ser uma época muito difícil. Apoiem-nos que merecemos ser apoiados. É só isso que eu peço.
Se a paragem da Liga, que se aproxima, é benéfica para o Académico.
Quando regressarmos, na primeira jornada a seguir, eu digo-lhe. Mas até lá ainda ainda falta o Estrela da Amadora.