Equipa Profissional 2026-09-04

“Temos de ser consistentes durante os 90 minutos em Barcelos”

O treinador do Académico foi confrontado com as questões de arbitragem, mas preferiu focar-se no que a equipa técnica e os jogadores conseguem controlar: a atitude e as exibições. Nesse sentido, mostrou-se contente com o que a equipa conseguiu fazer diante do Santa Clara e Marítimo e espera ver a melhor versão da equipa em casa do Gil Vicente. Entre elogios ao seu antigo clube, Bruno Pinheiro não quis revelar a estratégia que o Académico planeou para este jogo, mas deixou um aviso claro: “Queremos ir ganhar a Barcelos.”

Como é que a equipa trabalhou durante a semana? Os recentes erros de arbitragem nos jogos do Académico têm condicionado o trabalho do grupo?

Bruno Pinheiro – Não têm condicionado o trabalho. Acho que temos, acima de tudo, distinguir o que depende de nós e o que não depende. Como tal, a arbitragem não depende de nós, focamo-nos no nosso trabalho. Concordo que acaba por ser revoltante a facilidade com que se apitam algumas coisas e não se apitam outras, mas restringimo-nos àquilo que controlamos e ao nosso trabalho. É o processo que implementamos no dia-a-dia, é aí que nos temos concentrado e ninguém perde o foco em relação ao trabalho porque não adianta.

Relativamente ainda aos erros de arbitragem, como é que acha possível medir a intensidade do toque nos lances em questão?

BP - Nem tem que medir nada, por uma razão muito simples. Acho que há aqui uma confusão na cabeça de toda a gente. Uma coisa é querermos um jogo com menos faltas e permitir mais contactos. Outra coisa é permitir contactos ilegais, tudo o que envolva braços, agarrões, puxões, não é permitido. Para isso metíamos uma bola oval dentro do campo. E não é isso que acontece aqui, a bola é redonda. Para mim, não é uma questão de intensidade. A partir do momento em que o jogador não tem qualquer intenção de jogar a bola e agarra o adversário, impedindo-o de chegar à bola, nem sequer tem discussão. Comparar esse lance [penálti assinalado frente ao FC Porto] com o penálti que nos foi assinalado na Madeira, é ridículo, porque são lances distintos, não tem conversa. Mas como não controlo isso, prefiro virar a página.

Pela primeira vez, já ouvimos comentadores a dizer que o Académico de Viseu foi altamente penalizado nos dois primeiros jogos. Incluindo responsáveis por jornais. Mas com o FC Porto não, tudo normal. Porquê só agora?

BP - Não controlo o que as pessoas dizem, nem ouço. Não tenho redes sociais nem vejo programas televisivos, pelo que me restrinjo a ver os jogos, a analisá-los e a preparar o trabalho da minha equipa. Agora, é altamente desconfortante, neste momento teríamos mais uns quantos pontos e, tendo já defrontado Benfica e FC Porto, se à 4ª jornada tivéssemos os 5 pontos que fizemos em campo para os merecer, estávamos numa situação muito confortável e bastante satisfatória. Esta é que é a realidade, mas não controlo, e compete-me a mim e aos jogadores, continuar a trabalhar, focarmo-nos no futebol e deixar essa conversa para os entendidos. Para as pessoas do clube que também possam ser responsáveis e intervir nessa vertente. Porque o treinador tem um trabalho para fazer e eu quero acabar com o tema da arbitragem, porque parece que me quero refugiar dos resultados em coisas que não controlo. A minha responsabilidade é o trabalho de campo. Dos quatro jogos que fizemos, Benfica e FC Porto altamente difíceis. Já com o Santa Clara e Marítimo, fizemos o suficiente para empatar em casa com o primeiro e ganhar na Madeira. E isso é o que mais me tranquiliza, mesmo não tendo ganho os jogos, saber que fizemos o suficiente para o conseguir.

Na época passada, o Académico de Viseu eliminou o Gil Vicente para a Taça de Portugal e, na altura, ficou com um plantel idêntico a este. Acha que os jogadores que chegaram neste defeso vieram acrescentar qualidade?

BP - Em relação ao mercado, fecha hoje e deixamos essas contas para mais tarde. Ainda pode haver mexidas e é cedo para falar nisso. O Gil Vicente é uma equipa que já está consolidada na Primeira Liga, tem feito mercados muito interessantes. Tem feito vendas muito boas e reinveste no plantel muito bem, pelo que vamos defrontar um adversário dos fortes na Primeira Liga. É um clube bem gerido, com uma estrutura de Primeira Liga e reforços de qualidade. Mas, como sempre, a nossa ambição é ganhar e preparámo-nos para isso. Queremos ir ganhar a Barcelos.

Que Gil Vicente espera encontrar em campo e de que forma preparou o Académico para este jogo?

BP - O Gil Vicente ganhou os dois jogos que fez em casa, e ganhou-os bem. Não concedeu ainda qualquer golo neste campeonato, o que já diz bastante deste adversário. Agora, nós analisámos o adversário, vamos apresentar-nos em campo com uma estratégia que não vou revelar aqui no pré-jogo. Não me importo depois, no pós-jogo, de explicar as opções e o porquê de ter atuado de determinada forma. Mas o jogo foi preparado, sabendo da dificuldade que o adversário nos vai criar. Estamos convictos de que iremos criar-lhes mais dificuldades do que criaram os anteriores adversários que jogaram em Barcelos. Esse é o desafio. Nós, Académico, temos de começar a pensar que se quisermos ganhar jogos, temos de jogar mais e melhor do que os outros. É uma ideia que tem de ser passada a toda a gente. Ainda não nos aproximámos daquilo que eu mais idealizo e dentro daquilo que já fizemos de melhor, ainda não conseguimos ser consistentes durante os 90 minutos. Não digo que devemos jogar muito e bem, porque ainda não somos capazes disso, mas o que soubermos fazer, que o façamos bem durante os 90 minutos. E se o fizermos, seremos capazes de ganhar muitos jogos nesta Primeira Liga.

Nas primeiras quatro jornadas, o Académico foi a equipa que mais rematou frente ao Benfica. E o João Guilherme é o jogador da Liga com mais remates para fora. A equipa com mais remates defronta uma equipa que ainda não sofreu…

BP - O FC Porto, provavelmente, na última jornada, foi a que menos rematou à baliza…  O futebol tem as suas particularidades. O FC Porto terá marcado nos três primeiros remates que fez e acabou o jogo com cinco remates. Se forem ver os jogos, nunca tinha feito menos de 12 a 14 remates por jogo. E aqui veio ganhar 3-0 com cinco remates.  Acredito que o João Guilherme quando acertar, vai acertar três vezes seguidas. Trabalhamos isso diariamente, fazemos a análise do que devemos corrigir defensiva e ofensivamente. Analisamos o adversário, montamos um plano de jogo, pomo-lo em prática e a finalização faz parte do plano de trabalho normal…

Temos falado muito na parte emocional dos jogadores. Nota evolução na questão da paciência, da gestão de emoções…

BP - Creio que essa conversa já começa a não fazer sentido. A ansiedade, só se for de querer ganhar. Se formos ver os jogos, tanto contra o Santa Clara como com o Marítimo, podíamos ter ganho pontos ou até o jogo. Mas já não faz sentido de falar em ansiedade do próprio jogo. Agora o querer somar a primeira vitória, faz sentido, porque é uma coisa que passa sempre outra tranquilidade e alegria ao trabalho. Obviamente que temos alguma ansiedade para ganhar o primeiro jogo, mas só do jogar, já não faz sentido.

Sendo o jogo a um domingo à noite, véspera de dia de trabalho, e fora de casa, espera, ainda assim, uma boa moldura humana a apoiar o Académico em Barcelos?

BP - Nos jogos que fizemos fora, ainda não tive bem a perceção da presença dos adeptos, pois na Luz o jogo foi sem adeptos e na Madeira, é sempre uma deslocação diferente. Vou ficar a saber agora como vai ser o apoio em Barcelos, num estádio muito bonito para se jogar à noite. Um relvado que é top, esperamos estar à altura do jogo e dar uma alegria aos nossos adeptos, sejam muitos ou poucos os que estiverem lá a apoiar-nos. Já agora, apraz-me dizer que fiquei felicíssimo por ver o Fontelo cheio no jogo com o FC Porto, uma casa fantástica e maioritariamente academista, foi muito bom.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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