Equipa Profissional 2026-02-23

Raça e Garra Academistas

Há jogos em que a estatística explica quase tudo. Outros há em que só a alma conta a história. Em Portimão, o Académico escreveu uma página dessas — daquelas em que a raça pesa mais do que qualquer mapa de calor.

Perante um adversário pressionado pela classificação, o Académico encontrou um Portimonense coeso, fechado sobre si mesmo, determinado a reduzir espaços e a transformar o último terço num labirinto sem saída. E durante largos minutos conseguiu. O Académico entrou forte, a pressionar alto, a recuperar cedo, a empurrar o jogo para o meio-campo algarvio. Teve bola, teve intenção, teve domínio. Faltava-lhe, porém, o rasgo final — aquele último toque que transforma superioridade em vantagem.

A primeira parte deixou a sensação de controlo sem concretização. João Guilherme esteve a centímetros de desbloquear o marcador. A equipa circulava, insistia, mastigava o jogo, mas encontrava sempre mais uma perna, mais um corte, mais uma interrupção. O ritmo quebrava-se em faltas e duelos físicos, como se o encontro se decidisse mais no choque do que na criatividade.

Na segunda metade, o guião manteve-se. O Académico queria, mas não conseguia ligar o último passe com a eficácia desejada. André Clóvis teve o golo nos pés e esbarrou no guardião contrário. O Portimonense, com as alterações, ganhou algum fôlego nas alas e ameaçou crescer. Era talvez o momento mais desconfortável dos Viriatos no jogo — e, ironicamente, foi aí que emergiu a sua fibra.

Aos 85 minutos, quando o relógio já começava a pesar, apareceu a crença. Simão Silva, acabado de entrar e ainda a recompor-se de uma entrada dura, teve a ousadia que o jogo pedia. Lutou na direita, ganhou espaço onde parecia não existir, soltou para Mortimer e este ofereceu de bandeja a Lorougnon Gohi. O resto foi instinto: encostar, explodir, acreditar. O 0-1 não foi apenas um golo — foi a recompensa de quem nunca deixou de procurar.

Nas bancadas, a avalanche academista fez-se ouvir como se o Fontelo tivesse viajado até ao Algarve. E em Viseu, no Mercado 2 de Maio, centenas acompanharam em uníssono aquele grito tardio, libertador, que ecoou para lá do ecrã gigante. Porque esta vitória não foi apenas três pontos — foi uma afirmação.

Os minutos finais foram longos, tensos, esticados até ao limite. Dez de compensação. Bola direta, insistência algarvia, nervos à flor da pele. Mas o Académico mostrou coesão, maturidade e caráter. Defendeu como equipa grande, sofreu como grupo sério, venceu como quem sabe ao que vem.

Num jogo em que a qualidade nem sempre brilhou, brilhou algo maior: a identidade. E às vezes, nesta luta, é isso que separa quem quer de quem consegue.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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