Equipa Profissional 2026-01-24

A "mão" que decidiu - e manchou - o encontro em Paços

Num Estádio Capital do Móvel encharcado, pesado e irregular, o Académico de Viseu saiu derrotado de Paços de Ferreira, num jogo que ficará marcado não só pelo futebol jogado, como também por uma ""mão"" (com aspas a mais) que teve influência direta no desfecho da partida.

Perante um adversário historicamente forte em casa e num relvado que se revelou um verdadeiro campo de batalha, o Académico entrou sem medo. Logo no primeiro minuto, Álvaro Zamora testou os reflexos de Rafa Oliveira com um remate violento, dando o tom de uma equipa personalizada e ambiciosa. Pouco depois, João Guilherme esteve perto de capitalizar uma recarga, confirmando a boa entrada viseense.

O jogo foi-se tornando cada vez mais condicionado pela chuva intensa, pelo piso e pela dificuldade em ligar jogo. Ainda assim, o Académico manteve-se organizado, solidário e competitivo. Domen Gril foi decisivo ao negar um golo feito a Miguel Falé, num primeiro tempo equilibrado e jogado mais com esforço do que com arte.

No arranque da segunda parte, justiça no marcador: grande penalidade a favor do Académico e André Clóvis, frio como sempre, fez o que sabe. Golo, vantagem e mais uma demonstração da importância do avançado na época academista. O Académico estava na frente e mostrava maturidade para lidar com o contexto adverso.

E quando o relógio já entrava no tempo de compensação, chegou o lance que decide – e mancha – o encontro. Um cruzamento, a bola desviada por um jogador do Paços de Ferreira, dúvidas questionáveis, imagens pouco claras. Ainda assim, o árbitro apontou de imediato para a marca dos onze metros. O VAR chamou-o com a intenção de reverter a errada decisão, reviu-se o lance, as imagens mostraram incerteza total…e, mesmo assim, a decisão errada foi mantida. Um penálti inexistente, sem certezas, sem convicção, mas com consequências devastadoras.

A atuação correta do VAR quis corrigir erros claros, mas serviu apenas para legitimar o erro inicial. João Victor empatou e, com o Académico ainda a tentar recompor-se de um golpe injusto e duro, Diego Fernandes aproveitou o desnorte para marcar ao cair do pano.

Foi um castigo excessivo para uma equipa que lutou, sofreu, competiu e esteve perto de sair de um dos terrenos mais difíceis da Liga com pontos. O Académico caiu, mas caiu de pé. Sai de Paços com a consciência tranquila, com a união intacta e com a certeza de que o caminho continua a ser feito com trabalho, foco e identidade.

Contra a chuva, contra o relvado e, desta vez, contra uma arbitragem que falhou redondamente, o Académico segue em frente. Porque os objetivos não caem com decisões erradas. E porque este grupo já provou, vezes sem conta, que sabe responder dentro de campo.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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