Equipa Profissional 2026-01-17

O Fontelo voltou a ser casa

O Fontelo voltou a ser casa, voltou a ser porto seguro e voltou a ser palco de um Académico sério, competente e fiel a si próprio. Numa tarde/noite em que o jogo pediu atenção constante e capacidade para sofrer, os Viriatos responderam com personalidade, união e eficácia, regressando às vitórias em casa e reforçando a ideia de um grupo que sabe bem ao que vai — e para onde quer ir.

O encontro começou com o Académico ligado à corrente desde o primeiro apito. A equipa entrou mandona, confortável com bola e agressiva na procura do golo. Soufiane Messeguem deu o primeiro aviso logo cedo, com um remate em arco que beijou a trave e levantou o estádio, num desses lances que anunciam que há noites destinadas a algo mais. Pouco depois, Anthony Correia voltou a ameaçar, numa primeira meia hora viva, intensa e repartida, onde o jogo foi sempre jogado longe da monotonia.

A UD Leiria também mostrou argumentos e criou perigo, obrigando Domen Gril a uma intervenção decisiva num momento que podia ter mudado o rumo da história. O equilíbrio foi a nota dominante de uma primeira parte com duas velocidades: primeiro frenética, depois mais travada, marcada por duelos, contactos fortes e uma tensão que se colou ao relvado. O marcador manteve-se em branco, mas a sensação era clara — quem fosse mais lúcido após o intervalo sairia por cima.

E o Académico não vacilou. Bastaram segundos da etapa complementar para a equipa transformar intenção em vantagem. Luís Silva desenhou uma assistência de régua e esquadro, André Clóvis atacou o espaço como quem conhece o caminho de cor e, na cara do guarda-redes, fez o que melhor sabe: decidir. Golo limpo, confirmado pelo VAR, e explosão no Fontelo. Era mais do que um golo — era a confirmação de uma equipa preparada para aproveitar o momento certo.

Com a vantagem, o Académico não recuou em demasia nem perdeu identidade. Soube gerir, soube competir e manteve-se ligado ao jogo, mesmo quando o cansaço começou a pesar. Houve controlo emocional, solidariedade defensiva e a noção clara de que aquele jogo não podia fugir. E não fugiu.

Já nos descontos, quando o adversário se expunha em busca do empate, voltou a aparecer o inevitável. Samba Koné colocou a bola onde tinha de estar e André Clóvis, frio, letal e em estado de graça, sentenciou o encontro com o segundo golo da noite. Um bis que fechou a partida e abriu sorrisos, espelhando o peso de um avançado que continua a escrever a sua história com naturalidade e eficácia.

No apito final, mais do que os três pontos, ficou a imagem de um Académico coeso, focado e consciente do seu valor. Uma equipa que cresce em casa, que sabe sofrer quando é preciso e que segue unida, passo a passo, sem ruído, mas com ambição bem definida. No Fontelo, voltou a ouvir-se a resposta que todos queriam: vitória, convicção e caminho firme rumo aos objetivos.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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