Equipa Profissional 2025-10-26

Acreditar até ao fim e ganhar com justiça

Há vitórias que se sentem antes mesmo de acontecer. No Fontelo, debaixo de chuva e alma, o Académico voltou a mostrar o que significa jogar por Viseu. Frente a um GD Chaves até então invicto no campeonato, os Viriatos acreditaram até ao último instante e foram recompensados com um golo que fez estremecer as bancadas — o toque final de André Clóvis aos 90+2 minutos, um gesto simples e eterno que deu justiça a tudo o que a equipa fez ao longo dos noventa.

Foi uma tarde de entrega total, num relvado castigado pela água e num jogo que, por muito tempo, pareceu decidido a não sorrir a quem mais o merecia. Mas o Académico, esse, nunca desistiu. Lutou em cada bola dividida, suou cada metro de relva, ergueu-se sempre que o jogo o empurrou para baixo. Deu o corpo e o coração pela vitória. E fê-lo sob a liderança de um homem que conhece estas cores como poucos — Sérgio Fonseca, viseense, academista e símbolo de uma paixão que se sente mais do que se explica.

Desde o apito inicial que a equipa mostrou querer mais. Mesmo sem golos, o Académico teve alma. Vozinha, o guarda-redes adversário, parecia adiar o inevitável, travando remates de Clóvis, Kahraman e Gohi. Mas quem conhece o Fontelo sabe: quando o coração academista acredita, o jogo só acaba quando o árbitro apita. E foi precisamente assim. Já nos descontos, Gohi cruzou com alma, Clóvis apareceu no tempo certo e empurrou a bola para o fundo das redes. O estádio explodiu. Chovia sobre Viseu, mas o que se sentia era calor, emoção, pertença.

O apito final chegou com um sabor a redenção. O Académico regressou às vitórias no campeonato e confirmou o bom momento vivido desde a chegada de Sérgio Fonseca ao comando. Mais do que três pontos, foi uma afirmação de identidade. Uma demonstração de força de um grupo que joga por uma cidade, por um símbolo e por uma história que nunca se apaga.

No relvado, jogadores abraçaram-se, o público aplaudiu de pé, e o Fontelo voltou a ser casa — casa de quem luta, de quem acredita e de quem sente. Porque em Viseu, a chuva pode cair sem parar, mas a chama academista nunca se apaga.

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“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

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