Equipa Profissional 2025-09-08

As recuperações de André Almeida e de Issoufi Maiga: “Estamos no mesmo bote”

O Académico de Viseu acompanha de perto a recuperação de dois dos seus atletas do plantel principal: André Almeida e Issoufi Maiga. Ambos enfrentam lesões prolongadas, partilhando agora o processo de reabilitação lado a lado, numa jornada marcada pelo esforço, pelo apoio da estrutura e do grupo e pela vontade de regressar aos relvados. 

André Almeida descreveu o momento atual com serenidade e confiança:
“Neste momento sinto-me muito bem, já tive tempo de fazer o luto da lesão. O facto de já termos tido jogadores que passaram por esta situação, como o Chian ou o Maiga, tem me ajudado muito porque ainda têm bem vivas na memória todas as fases da recuperação, e vão me dando feedbacks positivos de coisas que são perfeitamente normais de se sentir. Já dá para perceber que ele (Maiga) está quase a voltar, portanto seguindo o mesmo trajeto vai correr tudo bem”.

O defesa-central academista não escondeu a dureza do processo desde o momento da lesão, sublinhando o apoio irrepreensível que recebeu: “No momento em que me lesionei, tive logo noção do que estava a acontecer. A verdade é que um jogador sente quando é uma coisa mais grave. Desde o início, o clube foi impecável, não tenho palavras. Como apanhei o período de verão, nunca deixei de vir todos os dias, o que é de louvar da parte da estrutura porque tinha sempre alguém para mim. Já para não falar no Jorge (Cunha), o nosso fisioterapeuta, que abdicou das férias dele para me ajudar no pós-operatório. No dia em que saí do hospital, assim que cheguei a casa ele estava pronto para iniciarmos a fisioterapia. Não há nada que eu possa dizer ou fazer para mostrar a minha gratidão a toda a gente, incluindo o Ergi (Symsek) que tem sido completamente inexcedível em todos os dias e em todos os treinos. Sinto uma diferença brutal desde o início, de dia para dia cada vez melhor e tudo se deve, claro, ao meu trabalho, mas, acima de tudo, às pessoas que que me rodeiam no clube”.

A cumplicidade com Maiga tem sido, nas palavras de André Almeida, essencial nesta fase: “Eu e o Maiga trabalhamos diariamente juntos, puxamos um pelo outro e isso acaba por ser muito positivo. Quando temos o Ergi a puxar-nos ‘para baixo’ no sentido de dar-nos muita carga, somos nós que nos puxamos para cima e nos incentivamos. Podemos dizer que o clube todo está no mesmo barco, e eu e o Maiga estamos no mesmo bote. É isso que nos torna mais fortes, apesar de ser uma infelicidade para os dois”.

André Almeida confessou ainda a dor de acompanhar os jogos da equipa fora das quatro linhas: “É muito mais difícil do que estar dentro de campo ou mesmo no banco. Sentimo-nos completamente impotentes, queremos ajudar e não conseguimos, custa muito sofrer do lado de fora. Mas a equipa também nos tem ajudado muito nesse sentido, porque sabem que o pior que um jogador pode ter é estar lesionado. Têm sempre uma palavra amiga, encorajadora e isso também é muito importante porque às vezes o jogador lesionado sente-se de parte, é perfeitamente normal no futebol. Não vai para o campo, não está nas dinâmicas de autocarro, mas, a verdade, é que este grupo tem sido impecável, incluiu-nos sempre em tudo”.

A motivação, porém, mantém-se alta: “Estou muito ansioso por voltar. Neste momento faltam talvez cinco meses, é essa a meta. Tento não pensar muito nisso, até porque a dinâmica do grupo e deste clube é focada no dia a dia, treino a treino, momento a momento”.

Já Issoufi Maiga, jovem atacante da formação academista, partilhou a mesma confiança no futuro. O maliano reconheceu a dureza do processo, mas disse sentir-se mais próximo do regresso aos relvados: “Estou a recuperar muito bem, este tipo de lesão é muito difícil para qualquer tipo de jogador, toda a gente sabe disso. Não foi fácil no começo, mas dia a dia e com tempo, estou a recuperar aos poucos com a ajuda de todos os elementos da equipa técnica e da equipa médica. Ajudaram-me desde o início, e agora estou quase a voltar. Sinto algo muito bom, estou muito feliz. Tive de lutar todos os dias, a dar sempre o meu máximo. Tive de manter-me forte mental e fisicamente e com muita força, porque não é fácil. Dormir não é fácil, ir ao treino e não jogar não é fácil, ver os meus colegas no treino e no autocarro e eu no ginásio todos os dias não é fácil. É a vida, faz parte do nosso trabalho que é o futebol, temos de trabalhar diariamente”.

O atleta de 23 anos não esqueceu o papel que André Almeida tem tido neste processo: “Estive com o André nos últimos meses, e ele é uma boa pessoa, um dos nossos capitães. Estamos juntos todos os dias no ginásio, trabalhamos muito duro. Há um ambiente muito bom entre nós, estou feliz por nos ajudarmos um ao outro e por termos o nosso espírito de sacrifício. É algo que faz parte das regras da nossa equipa, que é muito positivo para nos ajudarmos a toda a hora. Vou voltar mais forte física e psicologicamente, mesmo o resto da equipa tem-nos ajudado muito, com muitos conselhos”.

Na adaptação a Portugal, Maiga revelou ter encontrado um ambiente acolhedor que também o ajudou nesta fase de recuperação: “O meu primeiro ano não foi fácil, o francês tem parecenças com o português, mas é muito diferente. Sou alguém muito sociável, gosto de brincar com toda a gente e considero-os meus amigos. Eles ajudam-me a aprender muitas coisas, tudo o que eu não percebo eu pergunto. Gosto da língua portuguesa e sinto que já falo bem. Estou a viver e a jogar em Portugal, é normal que tenha de aprender a língua, é muito importante para mim e para todos os que querem viver cá”.

Tal como André, também Maiga se mostrou ansioso pelo regresso:
“Quando estou no camarote a ver os jogos, fico muito ansioso por voltar e por ajudar a equipa. Claro que tenho de o fazer dentro e fora de campo, é algo normal. Quero voltar o mais rápido possível, para alcançar os nossos objetivos. É uma meta que está aqui presente todos os dias, todas as horas e todos os minutos”.

Partilhar:
Equipa Profissional

“Sou feliz. Confio em todos os jogadores do plantel”

Bruno Pinheiro não escondeu a satisfação pela quarta vitória consecutiva do Académico de Viseu na Liga Portugal, alcançada este sábado, frente ao Estoril (2-1), num jogo decidido nos instantes finais, com um golo de Soufiane Messeguem. O treinador destacou o carácter, a qualidade do trabalho e o ambiente vivido no balneário como fatores determinantes para o melhor arranque de sempre do clube no principal escalão. Apesar do momento histórico, manteve um discurso prudente quanto aos objetivos da temporada, sublinhando que a equipa ainda está longe de ter conquistado aquilo a que se propõe. Na análise ao encontro, Bruno Pinheiro reconheceu as dificuldades sentidas no início da segunda parte, bem como a capacidade de reação da equipa. O treinador destacou ainda as diferentes características de Kahraman e Soufiane Messeguem e antecipou uma significativa rotação do plantel nos próximos compromissos, frente ao Fátima, para a Taça de Portugal, e ao FC Porto, para a Taça da Liga. Uma decisão que justificou com a confiança que deposita em todos os jogadores. Se é um treinador feliz (pela vitória, pelo arranque na Liga e pela resposta que o grupo tem dado) Sou feliz, tenho dito sempre, pelos jogadores que tenho; já o disse aqui e volto a repetir, podemos não ter o melhor treinador do mundo, podemos não ter os melhores jogadores do mundo, mas a verdade é que este é um grupo que trabalha muito e bem, com muita alegria; dá mesmo prazer vê-los quando chegam ao estádio, vêm sempre felizes. Há sempre um ambiente fantástico entre eles e com a equipa técnica. E isso torna-nos felizes. Obviamente, os resultados ajudam imenso. Precisávamos de ganhar jogos para ganhar confiança e ter esta capacidade de jogar com bola… obviamente estou muito, muito feliz pelo grupo que tenho e pelos resultados que estamos a conseguir até ao momento. Tendo a noção que, até hoje, nada está ganho. Está uma boa parte do caminho feito, mas estamos muito longe de ter conseguido alguma coisa. A razão das dificuldades no início da segunda parte; e a reacção. Tivemos dificuldade no início da segunda parte por duas razões. Uma, porque jogamos contra um adversário que tem muita qualidade individual; a segunda razão, porque alteraram a sua estrutura, tiraram o terceiro central, fizeram subir o Tsoungui para o meio, deram liberdade ao João Carvalho, e eu não queria estar a substituir sem ter a noção exata do que é que eu queria fazer e de como queria travar o Estoril. Infelizmente, levei demasiado tempo a perceber e a proceder às substituições… Felizmente, o grupo reagiu e, a partir do momento que fizemos as primeiras substituições, a verdade é que a equipa voltou a encaixar, voltou a controlar o jogo defensivamente e, a partir daí, acho eu, voltamos a ter mais oportunidades que o adversário. Nunca vamos conseguir dominar jogos em noventa minutos, esqueçam, isso não existe no futebol. A opinião sobre a exibição de Kahraman. A maior influência do Kahraman é no último terço, é aquele jogador que pode fazer mais assistências que os seus colegas (já não digo golos, embora eu acredite que ele possa fazerr golos, porque, de facto, remata bem, pé direito, pé esquerdo, é um jogador que é muito forte no último terço). É aí que ele pode diferenciar-se. Por exemplo, o Soufiane é um trabalhador, tremendo; são jogadores completamente diferentes, o Sofi é muito forte no equilíbrio da equipa, o Kahraman é muito forte no último terço; sempre que ele se enquadra, sempre que ele consegue receber a bola virado para a baliza contrário, vai sempre sair qualquer coisa. Se está surpreendido com arranque na Liga; e como vai gerir a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Como treinador, tenho sempre esperança de que as coisas corram pelo melhor, de ganhar todos os jogos. O que sinto é que, de facto, com a idade e com a experiência, conseguimos acelerar o rendimento. O treinador nunca tem tempo, isto é mesmo assim, os treinadores nunca têm tempo, mas a verdade é que, quer eu, quer a minha equipa técnica, com a experiência, estamos cada vez mais capazes de fazer com que as ideias também sejam absorvidas de forma mais rápida. Ter um grupo que trabalha, que gosta de trabalhar e compreende a ideia, facilita muito. É o nosso caso. Quanto às competições que aí vêm, as taças, sinceramente, vai ser um momento para dar oportunidades aos jogadores, porque todos eles merecem. Vai haver muitas mexidas, certamente, porque o grupo demonstrou ser competente e, também, é uma forma de mostrar essa confiança aos jogadores. São jogos a eliminar, mas queremos ganhar e isso é negociável. Às vezes utilizo esta expressão, isto não é a Santa Casa da Misericórdia, não estamos aqui para fazer favores a ninguém. Mas vamos dar oportunidades, porque, de facto, eles merecem e porque eu acredito que, jogue quem jogar, podemos ganhar. Confio em todos os jogadores do plantel neste momento.

2026-10-11

Patrocinadores Principais